Francisco Carvalho, o Presidente da Câmara da Praia, é o tipo de líder que leva a expressão “deixar a sua marca” a outro nível. Sob o seu comando, a cidade parece um laboratório de experiências urbanísticas… falhadas. Se alguém te perguntar como se chama a obra-prima de Francisco, a resposta é simples: Lixo. Muito lixo. E se o cheiro pudesse se propagar ainda mais longe, Francisco já seria o maior exportador mundial do perfume Eau d´Décomposition, uma expressão que combina a elegância da língua francesa com a sugestão sarcástica de, vamos chamá-lo, o “aroma de podridão”
A cidade está em estado de sítio, ou melhor, em estado de saco de lixo. As ruas estão tão cheias de resíduos que é difícil distinguir onde acaba o passeio e começa a lixeira. É uma mistura artística de plásticos, garrafas, cascas de fruta, e sabe-se lá mais o quê. Até os cães já desistiram de farejar, com medo de tropeçarem em algo mais vivo do que eles e as coisas ficaram tão ruins que até os pombos da cidade, conhecidos por serem resilientes, começaram a migrar. Alguns deles foram vistos a tentar apanhar o primeiro voo para Lisboa. Os que não conseguiram partir, preferem levar lanches de casa. O povo tenta sobreviver, enquanto Francisco, com aquele ar de estadista em negação, insiste que “está tudo sob controlo”. O que, obviamente, é um excelente argumento… se estivermos a falar de controlo remoto, porque ele certamente não está a conseguir controlar a cidade. E ele, como bom crente que é, reza para que a chuva não caia, pelo menos não até as eleições, porque o estrago seria devastador. Vi-o há dias a cantar alegremente o hit do momento “Hey yo, El bruxo, fla nuvens prepara”, mas “prepara ma pa txuba ca cai, favor Nhordess!
Enfim, continuando, o que é uma boa montanha de lixo sem uma epidemia para acompanhá-la? A dengue faz a sua grande estreia no calendário da cidade, como uma convidada de honra na festa do Tchicu. Os mosquitos proliferam mais rápido do que os seus discursos vazios. Mas ele, imperturbável, culpa o governo. Sim, o governo. Segundo Francisco, o governo é responsável por absolutamente tudo. “Se o governo não fosse tão incompetente, o lixo evaporava-se sozinho, e os mosquitos teriam uma crise existencial”, argumenta ele, com a confiança de quem claramente tem uma solução brilhante… guardada em algum lugar tão escondido que ninguém nunca a viu.
As calçadas, claro, são outro capítulo épico na saga de Francisco. O que eram calçadas decentes transformaram-se numa espécie de percurso de guerra. Caminhar pelas ruas é um teste de equilíbrio e resistência física, um parkour involuntário. Eledeve pensar: “Se conseguirem chegar ao fim da rua sem tropeçar, já fizeram o exercício do dia!” Se pensas que ele está preocupado com as quedas e torções de tornozelo, enganas-te. A Praia inclusiva e para todos é de facto onde tudo cabe. Pessoas, lixo, mosquitos, viroses e otras cositas mas. Tudo ao molho e fé em Deus, literalmente.
Mas a cereja no topo desse bolo de desastres é o processo por “ilegalidades graves” na gestão da autarquia. Francisco, sempre pronto a encontrar bodes expiatórios, vê nisso uma conspiração. Grita aos quatro ventos, sorrindo: “Estão a tentar derrubar-me! Sou um ditador? Não! Sou apenas um líder visionário que não precisa de ouvir opiniões alheias. Se o governo não estivesse a meter o bedelho, tudo estaria perfeito. São eles que sabotam o meu trabalho!”.
Entretanto, a sua equipa não sabe se está a trabalhar numa câmara ou num circo. Francisco não se entende com ninguém, mas isso, claro, também é culpa do governo. O MPD, fogo, sempre o MPD. Que chatice, Òlisses & Co.
Bem, lá segue o Francisco Carvalho, o “Presidente ditador com coração de mártir”, que continua a liderar a Praia com a eficiência de um barco à deriva… no meio do seu mar de lixo. Segue firme, com o sorriso inabalável de quem está certo de que o futuro é brilhante… mesmo que o presente cheire um bocadinho mal.


