Numa publicação divulgada nas redes sociais, esta quarta-feira, Casimiro de Pina centra as críticas na promessa feita por Francisco Carvalho, de reduzir para 500 escudos o preço das viagens de barco e para cinco mil escudos o custo das passagens aéreas
O advogado, analista político e assumido candidato à Presidência da República, Casimiro de Pina, acusou o PAICV de manter uma “velha conceção de democracia revolucionária”, criticando a reação do partido às cobranças sobre a promessa de redução dos preços das ligações marítimas e aéreas. O jurista sustenta que o partido conquistou votos nas legislativas de 17 de maio com um compromisso que classifica como “uma interessante mentira sem qualquer sustentação económica”.
Numa publicação divulgada nas redes sociais, esta quarta-feira, 22 de julho, Casimiro de Pina centra as críticas na promessa feita pelo candidato a primeiro-ministro, Francisco Carvalho, durante a campanha eleitoral, de reduzir para 500 escudos o preço das viagens de barco e para cinco mil escudos o custo das passagens aéreas, tendo feito “promessas emocionantes” nas ilhas do Fogo e da Brava, “particularmente”.
Segundo o articulista, o então candidato transmitiu a ideia de que a medida poderia ser implementada em cerca de 30 dias, por considerar que correspondia à “realidade cabo-verdiana”. No entanto, observa que o governo do PAICV já admite que a concretização da promessa apenas poderá avançar em janeiro de 2027, dependendo ainda de estudos adicionais. “Ganharam muitos votos com essa interessante mentira sem qualquer sustentação económica”, criticou.
Para Casimiro de Pina, esta mudança de calendário demonstra que a promessa eleitoral do PAICV não tinha base económica sólida e terá contribuído para a conquista de votos nas eleições legislativas.
Entretanto, poderá nem ser em janeiro. “Poderão ser necessários mais alguns ‘estudos’ adicionais”, ironiza, observando que “já não há certezas” desta promessa.
O advogado vai mais longe e acusa o PAICV de não aceitar críticas nem escrutínio público.
Na sua leitura, sempre que cidadãos questionam o atraso no cumprimento da promessa, a resposta implícita do partido é que, por ter vencido as eleições, não tem de prestar satisfações.
Na publicação, o candidato presidencial afirma que o PAICV conserva “a 100%” a sua antiga visão de “democracia revolucionária”, alegando que o partido “não aceita discussões, não admite questionamentos e não suporta nenhum tipo de crítica ou fiscalização”. Conclui, por isso, que os dirigentes agem como se a vitória eleitoral lhes conferisse legitimidade para “suspender a democracia”.
A posição de Casimiro de Pina surge na sequência de um posicionamento do ministro dos Transportes e Mar, que ontem disse que a promessa de redução das tarifas de transporte interilhas para 500$00 poderá ser em janeiro do próximo ano.

