O Primeiro-Ministro, Ulisses Correia e Silva, reagiu pela primeira vez ao processo disciplinar instaurado à Diretora da Televisão de Cabo Verde (TCV), manifestando serenidade e sentido de Estado perante o caso que envolve a suspensão da dirigente sem salário por 45 dias
Em declarações à Comunicação Social na última quinta-feira, o Chefe do Governo apelou à objetividade e à prudência no debate público, sublinhando que, até ao momento, “falta ser provado e comprovado” que o caso constitua uma violação da liberdade de Imprensa.
Segundo UCS, o assunto deve ser analisado com base em factos concretos e não em perceções, sobretudo, políticas. “O enquadramento que eu conheço é que se trata de uma relação laboral entre uma entidade patronal, o Conselho de Administração da RTC, e uma Diretora. Estamos a falar de uma jornalista que estava a exercer o seu trabalho enquanto jornalista”, afirmou.
Reforçando o valor absoluto da liberdade de Imprensa, o Primeiro-Ministro advertiu, contudo, para a necessidade de distinguir entre eventuais conflitos laborais e verdadeiros atentados à liberdade jornalística. “Devemos ter o devido cuidado para saber se, efetivamente, a motivação do processo disciplinar é cercear a liberdade de alguém”, frisou.
O Chefe do Governo defendeu ainda que a apuração dos factos deve envolver entidades independentes, para além das partes diretamente envolvidas, lembrando que a AJOC, enquanto sindicato representativo dos jornalistas, “tem o seu próprio posicionamento” no caso.
UCS deixou claro que apenas com base em provas concretas o Governo poderá intervir de forma mais incisiva. “Se houver a prova e a comprovação de que a motivação do processo disciplinar foi cercear a liberdade de imprensa, ou a liberdade do jornalista, ou o livre exercício da profissão (…), outras intervenções poderão ser feitas”, concluiu.



Uma boa lição dada por Ulisses C. Silva a José Maria Neves. Na ânsia de parecer um presidente amante e defensor da liberdade da Imprensa, JMN meteu os pés pelas mãos e fez o seu julgamento na praça pública, em vez de esperar o veredicto de quem de direito, para depois falar. Nota alta para Ulisses, que um dia será, certamente, Presidente da República.
Espero que o meu comentário não seja publicado somente daqui a três ou quatro dias.
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