Chuva de grupos independentes?

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Eu, como defensor de todas as liberdades constitucionais não posso negar o meu voto ao aparecimento do chamado grupos de cidadãos, mesmo os que se auto-proclamam de independentes e supra-partidários.

          

Qualquer cidadão pode usufruir e ter a liberdade, para exercer o seu direito associativo, que está plasmado na Constituição da República.

O que faz um pouco de confusão é a forma como certos grupos aparecem. Sobretudo, quando os tais grupos são “paridos” dos partidos políticos da nossa praça.

Será sério umas pessoas ou um grupo de pessoas, que militaram durante anos num partido político, andando a defender com a garra leonina a ideologia desse partido, exercendo por esse partido o cargo de deputado ou outros cargos importantes, de repente, de uma noite para o dia, talvez porque essas pessoas não foram convidadas pelo primeiro-ministro a fazerem parte do governo ou outros cargos públicos, desafiarem o seu partido e aparecem como grupos independentes?

Repito! De uma noite para o dia, como que num golpe de mágica, com circos mais ou menos improvisados, recorrendo-se a uma espinhosa narrativa lírica, fazerem a cesariana de grupos, que dizem independentes e supra-partidários?

A única lírica que não confessam é independente de quem ou supra-partidários de que partido?

Pois, neste ponto as coisas começam a ficar um pouco podre, fedorento e o riso explode e invade a sala! Também os jornalistas, por fartura da demanda e das banalidades, abandonam a sala.

Destaco aqui o caso do Movimento para Democracia (MPD. Parece-me que a Direcção do partido deve tirar um momento, um período, para se reflectir sobre esta questão.

Porque é já repetitivo os casos, que podem já ser considerados de pequenas fracturas politicas em épocas eleitorais?

Ou melhor, não sendo fracturas politicas, podem ser considerados casos de ambições exóticas de certas pessoas, escolhidas outrora, talvez, por erro para certos cargos e hoje se acham envaidecidos e poderosos, ao ponto de desafiarem o seu próprio partido (e sua Direcção), no seio do qual andaram a alimentar-se, politicamente, ganhando peso de forma visível, ao sabor da lagosta e caviar e dos encantos cintilantes das cores vivas do poder.

Em quatro anos, estamos a caminho do quinto caso do aparecimento de grupos independentes e, agora, como está na moda, supra-partidários.

Quaisquer das razões que estiverem na origem destes fenômenos, o MPD, os seus órgãos competentes, após o período eleitoral, deve refletir ou passar um olho crítico sobre essas situações.

Peço desculpas, mas mudando  de assunto. Apenas uma leve sugestão:

Embora estejamos em plena pandemia e caminhando em direcção ao período pré-eleitoral, um período que se prevê bastante intenso, não sei se será possível a programação de encontros com os militantes, ouvir as suas preocupações, os seus ensejos e porque não os seus pequenos descontentamentos. A descompressão faz muito bem na política.

Não sendo possível por via de encontros, pode-se inventar outras formas de comunicação, para troca e clarificação de questões diversas.

Os mais novos não sabem, mas a força do MPD começou em 1990, com os primeiros soldados e militantes para a democracia.

No início, éramos um pequeno exército, desarmado de armas, mas devidamente armados como se deve fazer política num sistema pluripartidário, com nítidas vantagens para o nosso lado de como disseminar e transmitir as belas mensagens de liberdade e democracia.

Marchamos de dia e às vezes até de noite e conseguimos levar com mestria e engenho a mensagem da liberdade e democracia a todos os cantos aonde se encontrava o povo de Cabo Verde.

Quem abraçou forte a mensagem e demonstrando através dos seus olhos a pressa incontida de quem queria fugir o mais rápido possível do forno que esquentava a sua alma.

E juntos fizemos a história e percorremos sempre irmanados o caminho pela liberdade e democracia.

É verdade! Os militantes do MPD são bastante críticos. Foram assim desde o início. E acredito que isso é um valor e não um problema.

O que eles adoram é receber uma satisfação dos seus dirigentes. Mesmo que seja uma simples conversa.

Quando digo satisfação, não digo favores. O que detestam é a arrogância ou falta de lealdade dos seus dirigentes.

Acredito que muitos não sabem! Os militantes do MPD também sofrem pelo MPD. Sofrem quando um dirigente comete um erro, que prejudica a imagem do partido.

Sofrem quando o MPD perde as eleições. Sei que acontece o mesmo com os outros partidos. Mas isto que estou a escrever não é poesia. São factos.

Pois, há dirigentes que não conhecem os militantes. Ou conhecem poucos militantes. Não quero e nem devo fazer a comparação com os 90.

Mas devo ser claro aqui. Quem não quer ler essa parte, pode ir espreitar a televisão ou ir beber um bom tinto. Paciência.

Os militantes do MPD queixam-se de alguns dirigentes e de certos Ministros.

Alguns esquecem-se de uma pura verdade. Podem ser militantes partidários, mas são também cidadãos, têm necessidades e expectativas como todos os outros cidadãos.

Precisam ser tratados com igualdade de circunstâncias, como se tratam todos os cidadãos. Não podem ter privilégios especiais, mas também não podem ser preteridos ou prejudicados em nenhuma das circunstâncias.

Eu sei do que estou a falar. E muitos sabem do que estou a falar. Até os que criam ou permitem que se criem os obstáculos aos militantes do MPD, sabem perfeitamente do que estou a falar.

Não era necessário escrever tudo isso, caso eu fosse do Paicv. Todos sabemos do exagero como este partido trata os seus militantes.

Nós não defendemos um Partido/Estado. Nada disso e não era necessário dizer-se isso.

O que eu quero dizer é simples para ser entendido. O militante do MPD não deve ser descriminado em nenhuma das circunstâncias. Exigem o mesmo tratamento -não tratamento superior- do que se dá ao comum de outros cidadãos ou de militantes dos outros partidos.

Há reclamações muitas de que alguns estão a fazer o contrário que a lei determina. Sob o olhar de alguns dirigentes do MPD. E eu conheço alguns casos do gênero. Tendo por trás certos dirigentes do MPD. Certos dirigentes, não digo todos.

Certos dirigentes e Ministros não conhecem a história do MPD. Não conhecem como o MPD habituou-se a relacionar com os militantes.

Alguns dizem até que os militantes do MPD exigem demais. Que fazem isso e aquilo. Não digo que não haja alguns que podem exagerar. Mas, não será uma generalidade de pessoas.

Todos nós -os primeiros dirigentes da liberdade e da democracia- aprendemos imenso com os militantes do MPD.

E posso dizer uma verdade. Quem entre nós tinha mais poder de encaixe, mais paciência era o Dr. Carlos Veiga. Ele tinha a paciência de pescador. E isso foi marcante.

Também, ao longo dos tempos, os militantes do MPD mostraram sempre que por mais que estejam zangados, por um motivo fútil ou motivo mais grave, eles nunca abandonam ou abandonaram o seu partido -o seu querido MPD.

Eles reservam um cantinho especial no seu coração para o MPD, sempre ao serviço de Cabo Verde.

E este amor que reinou sempre neste grande partido deve ser sempre preservado e semeado ainda mais.

Por mais coisa feia que se diga contra o MPD, tenho a certeza, ponho as minhas mãos no lume, no imediato, lá estarão sempre os seus dignos soldados, para defender o partido que trouxe, em boa hora, ao seu povo a liberdade e a democracia.

Bem haja o MPD!

3 COMENTÁRIOS

  1. Este é um documento que deve ser partilhado por forma a que sua difusão chegue a todos os dirigentes do meu MPD…pois é preciso manter o Jardim bem regado para que haja sempre militantes disponíveis. Independentes são fulanos que querem enganar os outros, pois em Cabo Verde nem chuva é independente.

  2. Caro Sr. Articulista,
    Descobri este jornal online a menos de um mes. Gostei dos seus artigos, parabens. Os comentarios tambem sao de excelencia.
    Parabens a todos.

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