Chuvas deixam cenário de destruição em Santa Cruz e São Miguel

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Autarcas falam em perdas agrícolas, danos em habitações e comunidades isoladas

As fortes chuvas que caíram na passada quinta-feira continuam a revelar impactos severos nos municípios de Santa Cruz e São Miguel, no interior de Santiago.

Os presidentes das duas câmaras municipais confirmam extensos danos ambientais, agrícolas, habitacionais e infraestruturais, classificando o cenário como “devastador” e “sem precedentes”.

No Município de Santa Cruz, a maior parte das ribeiras apresenta estragos significativos, afetando sobretudo parcelas agrícolas e sistemas hidráulicos. O Presidente da Autarquia, Carlos Silva, destaca que três das oito ribeiras necessitam de intervenção urgente.

“Na ribeira de Cumba tivemos perda de cerca de 90% de toda parcela agrícola. Constatamos também grandes perdas na ribeira de Ribeirão Almaço, tanto em produção agrícola como em animais. Com a mesma intensidade verificamos danos na zona de Cabeça de Horta”, afirmou.

Além dos prejuízos agrícolas, Carlos Silva informou que há registo de perda total e parcial de habitações em várias zonas, incluindo Rebelo, Ribeirão Boi, Boaventura, Ribeirão Almaço e Matinho. Apesar do impacto, as ligações rodoviárias entre Santa Cruz e os restantes municípios já foram restabelecidas.

Em São Miguel, o cenário é igualmente crítico. As quatro bacias hidrográficas do Concelho ficaram severamente destruídas.

O Presidente da Câmara Municipal, Hermínio Fernandes, descreve a situação como inédita na história recente da região.

“Depois das chuvas, percorremos várias comunidades e constatamos danos avultadíssimos. Nunca isto foi visto em mais de 90 anos”, afirmou.

De acordo com o Autarca, há perdas significativas em parcelas agrícolas, criação de animais e cerca de três dezenas de habitações afetadas, total ou parcialmente. As infraestruturas hidráulicas, a rede de distribuição de água e o sistema elétrico também sofreram danos severos.

Fernandes confirmou ainda que cinco comunidades permanecem completamente isoladas, reforçando que o Município vive uma “situação de calamidade total”.