Cidade Velha por excelência é o “ninho” da nação crioula, com diversos marcos históricos e culturais que moldaram o “ser” cabo-verdiano.
Maio de 1640 ao acaso descobre “cabo virgem”, sem povo e sem história, a partir dessa data dar-se-á o início da construção da nação que hoje chamamos cabo-verdiano. Entre o triângulo, Europa-África-Américas, servindo de entreposto comercial com grande fluxo de pessoas e mercadorias, inaugurando nova era no Atlântico, substituindo por hora a ambição de chegar às Índias.
Povoado em 1462, Ribeira Grande inaugura como centro de cruzamento entre os povos da Europa, mas concretamente da península ibérica e de diversos cantos da África, consequentemente gerando uma rica mestiçagem, nem só biológicas, mas cultural e a própria vivência. Construiu-se igrejas, capelas e conventos, as produções e exportações agrícolas, o lucrativo tráfico negreiro, e os centros dos saberes e do conhecimento como a biblioteca do bispado.
Hora, século XVI, Ribeira Grande era sinônimo de riqueza e prosperidade, com grande atração ao comércio, cheia de artes e monumentos escravista e colonial, coroado pela fortaleza real de São Filipe. Como na vida nem tudo são flores, Ribeira Grande depara nos finais do século XVI e no início do século XVII com ataques dos piratas e corsários, como Francis Drake em 1567, John Hawkins em 1562, Emanuel Serradas em 1583, e outros. Obrigando aos Ribeira-Grandenses a reconstruírem e ganharem o espírito de resiliência.
Tempos se passaram, herdamos uma ribeira rica em monumentos e sítios, miscigenado socialmente e culturalmente, reconhecido além-fronteiras, classificado em 2009 como o Património Mundial da Humanidade pela UNESCO, inaugurando mais uma nova era ao nosso município, questiona se nós estamos a tirar o melhor aproveitamento deste bem valioso.
Convenhamos, o real aproveitamento seria a elevação de performance de Cidade Velha, pela maximização da preservação dos sítios e patrimónios, e pelos projetos de desenvolvimento, as iniciativas de “summet” com o propósito de dar o conhecimento sobre as oportunidades de investimento público-privado.
Ou seja, a economia de Cidade Velha propende-se pelo turismo e a sua diversificação, como o turismo cultural, o turismo religioso e dos monumentos e sítios. Temos um número considerável de espaços hoteleiros e de restauração, o problema seria a falta de conectividade entre os turistas e clientes com esses espaços, sendo assim, precisamos de agentes capazes de fazer essa conexão, falo tanto do poder local pela capacidade e a ambição em querer levar Cidade Velha num patamar forte em opção turística, falo também das agências de turismo e os hotéis em maximizar o business e novo “up” aos seus negócios.
Sendo assim, requer confiança, afinal junta-se o útil ao agradável, em que todos ganham, os hóspedes pela permanência onde foi o surgimento do povo cabo-verdiano e a elevação da economia local.


