Cientista cabo-verdiano Jay Brito questiona o “preço da democracia e da liberdade”

1

O investigador e cientista internacional Jay Brito publicou uma reflexão sobre o debate público em torno do Monumento da Liberdade e da Democracia, recentemente erguido na confluência da Avenida Aristides Pereira com a Avenida António Mascarenhas Monteiro, na cidade da Praia, sublinhando dificuldades estruturais de Cabo Verde na construção de consensos nacionais.

No texto, Jay Brito começa por questionar “qual é o preço da democracia e da liberdade”, defendendo que uma das fragilidades recorrentes do país reside na incapacidade de gerar consensos amplos, mesmo em torno de datas e celebrações consideradas património comum, como o 5 de Julho e o 13 de Janeiro.

O investigador destaca o simbolismo da decisão do Governo de Cabo Verde de construir o monumento naquele local, afirmando que, noutros contextos, uma iniciativa com esse significado tenderia a reunir apoio alargado. Segundo Jay Brito, em Cabo Verde, o debate tem sido marcado por forte partidarização, estendendo-se a áreas que, no seu entender, deveriam funcionar como fatores de união nacional.

Na sua análise, o autor compara a polémica em torno do monumento com os investimentos realizados anualmente pelas autarquias da Praia e de São Vicente em festivais de música, que mobilizam dezenas de milhares de contos, observando a diferença de tratamento público dado a essas despesas.

Jay Brito refere ainda que alguns críticos apontam valores na ordem dos 150 mil contos associados à obra, esclarecendo que, no seu entendimento, o que foi construído não corresponde a uma rotunda, mas a um monumento de carácter simbólico. Quanto à adequação ou não do montante, considera tratar-se de uma avaliação técnica, salientando apenas que o valor simbólico da liberdade e da democracia ultrapassa a dimensão estritamente financeira.

O investigador aborda também as questões relacionadas com prioridades de investimento público, mencionando que interrogações sobre a construção de monumentos, estádios ou museus são legítimas numa democracia. Ao mesmo tempo, defende que essas questões devem poder ser colocadas livremente, sem que quem as levanta seja alvo de ostracização, sublinhando a liberdade de expressão como princípio essencial do regime democrático.

O texto termina com a reafirmação do valor simbólico das principais datas da história política recente de Cabo Verde, com referências ao 5 de Julho, ao 20 de Janeiro e ao 13 de Janeiro, apresentados como momentos centrais da memória democrática nacional.

1 COMENTÁRIO

  1. Jay, temos de perdoar as pessoas sem formação, sem conhecimento e sem a noção que as redes sociais criaram e promoveram. Hoje, qualquer semianalfabeto ou fanático partidário acha que pode discutir contigo, meu caro Jay Brito, sobre bioquímica como se a ciência fosse uma mera opinião.

    O que realmente nos deve preocupar em Cabo Verde são as pessoas formadas, informadas e técnicos experientes — muitos que já ocuparam cargos de responsabilidade — que, por puro oportunismo e calculismo, promovem a desinformação. Semeiam o ódio e confundem a opinião dos menos letrados. Há quem tenha recentemente começado a escrever artigos a criticar tudo o que o atual Governo faz, apenas para agradar a quem julgam ser o próximo Primeiro-Ministro. É com este tipo de gente que nos devemos preocupar e contra quem devemos lutar: oportunistas e malandros armados em analistas. Ou seja os comunistas/ socialistas caviar são um perigo para CV!!! Hipócritas da 1ª!!!

Comentários estão fechados.