Caí o pano sobre o último Estado da Nação desta legislatura, e o momento é de cogitação e também da previsibilidade.
Previsibilidade de que certos corpos estranhos, já aflorados em episódios recentes, possam tentar intrometer-se nas eleições legislativas de 2026.
A leitura atenta do contexto geopolítico e dos sinais internos exige uma reflexão séria sobre o que está em jogo: a nossa soberania democrática.
Não é segredo que a prisão de Alex Saab , figura próxima do regime de Nicolás Maduro, abalou as relações entre Cabo Verde e Venezuela. O ressentimento bolivariano, silencioso mas persistente, poderá transformar-se em tentativas encobertas de interferência no nosso processo democrático.
A Rússia, por sua vez, não esquece a firme posição de Cabo Verde nas Nações Unidas, onde nos colocamos ao lado da Ucrânia e da liberdade.
Numa conjuntura global volátil, o risco de aproximações disfarçados e promessas ideológicas vindas do Leste não deve ser ignorada e nem dispensada.
E, não podemos esquecer as ligações históricas entre o Paicv e o MPLA de Angola , um partido irmão em tempos de partido único , que ainda hoje carrega o estigma do autoritarismo. Essas conexões parecem ser reativadas, agora com a roupagem da “solidariedade africana “ , mas com potencial de influenciar de forma perigosa o nosso rumo interno.
Mais grave ainda, o candidato do Paicv já flerta com ideias perigosas: fala em recuperar melícias, em instaurar tribunais populares, e em resgatar práticas que ferem o estado de direito.
Acresce a isso, um populismo alarmante , prometendo passagens aéreas por 5.000 escudos e viagens marítimas por 500 escudos, como se um País vulnerável como o nosso pudesse sustentar fantasias politicas irresponsáveis.
Não sendo profeta, não faço profecias, sendo este um texto de alerta, um chamado a consciência nacional.
A democracia, pensamos nós, não é garantida por decreto . Ela exige vigilância, coragem e, sobretudo, discernimento dos perigos que ela encarna.
Cientes estamos que Cabo Verde é um País soberano e a soberania não se negocia.
O meu apelo é que sejamos dignos da liberdade que conquistamos em 1991 com o MPD e que, agora, alguns parecem querer revogar por via eleitoral.
As vezes o óbvio a nossa frente é difícil de ver por ser tão óbvio, mas com respeito ao respeito, seria uma falta de respeito, uma falta de patriotismo regressar a uma práxis de 75 a 91 com todas as consequências daí advenientes.
Temos que estar atentos aos delírios políticos, aquilo, que insulta a inteligência do povo e atenta contra a sustentabilidade do país.
Não precisamos de encantadores de serpentes , mas de líderes responsáveis, comprometidos com o desenvolvimento real e com a estabilidade democrática que nos é tão cara.
Temos que ter sempre presente que a medida que se aproxima as eleições legislativas de 2026, Cabo Verde enfrenta uma encruzilhada perigosa.
O que está em jogo não é uma escolha partidária, mas a integridade da nossa democracia e o rumo soberano do nosso país.
Por Cabo Verde precisamos cogitar a previsibilidade do amanhã!



Sim senhor, bonito, bonito, como o favaíto. Este artigo de tão delirante nem insulta a inteligência do povo, que é sempre esclarecido, mesmo quando nos parece obtuso.
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