O MpD se encontra hoje diante de todas as possibilidades. Possibilidades de se reinventar [mantendo a sua coluna dorsal]; possibilidades de trazer novidades que correspondam às expectativas de uma sociedade jovem, dinâmica e aberta ao mundo; possibilidades de adaptar o Partido a um novo sonho de realização pessoal e coletiva; possibilidades de recriar novas relações.
[I] Quando eu era pequeno, a minha avó passava horas connosco a conversar sobre tudo e mais alguma coisa. E nesses diálogos ela dizia-nos sempre para encararmos a vida por fases. Ou seja, ao longo da vida várias fases se abrem e se fecham, e devemos ter sempre isso em mente: a vida tem etapas e devemos enfrentá-las todas como desafios. E isso valia para tudo: a vida familiar [com nascimentos e mortes], a vida social [amizades que fazemos e outras que vamos deixando pelo caminho], a vida profissional [erros e aprendizagens], a vida amorosa [o início e o fim dos relacionamentos], entre outras coisas.
[II] E, como para mim tudo o que a minha avó dizia era mais importante do que aquilo que estava na Bíblia ou na Constituição do país, tudo aquilo que ela me ensinou tornou-se um princípio orientador da pessoa que sou hoje [claro que ao longo da vida fui adquirindo outras aprendizagens].
[III] Dito isto, vamos ao assunto: a nova liderança do Movimento para a Democracia e os desafios que estão por vir. E os desafios são sempre estimulantes e cativantes, pelo menos para quem gosta de observar e construir coisas. Porque os desafios permitem recriar, adaptar e trazer novidades.
[IV] É neste contexto pós-eleitoral [embate político que me deixa satisfeito, porque é uma das formas de participar no desenvolvimento da minha terra e de sentir que pertenço a este país que Deus não criou para ninguém em particular, mas onde estamos todos aqui pela persistência e resiliência] que o MpD se encontra hoje diante de todas as possibilidades. Possibilidades de se reinventar [mantendo a sua coluna dorsal]; possibilidades de trazer novidades que correspondam às expectativas de uma sociedade jovem, dinâmica e aberta ao mundo — físico e virtual; possibilidades de adaptar o Partido a um novo sonho de realização pessoal e coletiva; possibilidades de recriar novas relações.
[V] Entre todas essas possibilidades, num momento de conversa aberta e descontraída, tive a oportunidade de falar com Paulo Veiga sobre o MpD. E a conversa partiu de três perguntas simples: Paulo, estás aberto a sentarmo-nos [com a participação de todos] para alterarmos os estatutos sem perder aquilo que é essencial, principalmente no que toca à abertura do partido à Sociedade Civil [e há mil e uma formas de o fazer]? Estamos prestes a criar — ou recriar — uma organização leve e interligada [leve no sentido de podermos sentar-nos até debaixo de uma árvore para conversar] para conseguirmos ter conexão? E, igualmente importante, tens noção do que é a Nação Cabo-verdiana e qual é o nosso papel neste novo mundo que está a ser desenhado?
[VI] E todas essas perguntas tiveram resposta. Mais do que isso, ele mostrou, na prática, os passos que já deu. Conversámos durante mais de duas horas sobre tudo isso e outras questões, e ele demonstrou não apenas que está preparado para a liderança [o que é normal], mas também que possui uma bússola pessoal muito bem afinada para a responsabilidade que está prestes a assumir: reorganizar o MpD e orientar o país para o melhor caminho dentro de todas as possibilidades que temos.
[VII] Terminámos o encontro com a minha afirmação de que irei apoiá-lo numa campanha interna voltada para o debate sobre o Partido e não sobre pessoas em si. E, no fim de tudo, o MpD sai com uma certeza: é preciso assumir a nossa grande responsabilidade de abrir o Partido aos militantes e de conduzir o país para o futuro.



Excelente e apesar de não ser militante mas alinho nessas vossas ideias.