Combustíveis disparam com Governo PAICV e agravam custo de vida em Cabo Verde

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Gasolina sobe 24$30 e gasóleo 42$50 em apenas quatro meses, num período que coincide com a entrada em funções do Governo liderado pelo PAICV. A escalada dos preços reacende críticas à promessa de aliviar o custo de vida dos cabo-verdianos

Os preços dos combustíveis voltam a aumentar em Cabo Verde, agravando a pressão sobre o orçamento das famílias e das empresas e colocando em causa uma das promessas políticas mais repetidas durante a campanha eleitoral: controlar o aumento do custo de vida.

Os números evidenciam uma subida significativa em apenas quatro meses. Em maio, ainda durante a governação do MpD, o litro da gasolina custava 151$10. Em setembro, já sob a governação do PAICV, que assumiu funções a 18 de junho, o preço passa para 175$40, uma subida de 24$30 por litro, equivalente a 16,1%.

No caso do gasóleo normal, a evolução é ainda mais expressiva. O litro custava 126$90 em maio e passa agora para 169$40, representando um aumento de 42$50 por litro, ou 33,5%.

A evolução dos preços ocorre num contexto internacional particularmente adverso, marcado por conflitos armados, tensões geopolíticas e instabilidade nos mercados energéticos. Cabo Verde, enquanto país fortemente dependente da importação de combustíveis, fica inevitavelmente exposto a essas oscilações.

Mas, para os consumidores, a questão vai muito além do preço pago nas bombas. O aumento dos combustíveis tende a refletir-se no transporte, na eletricidade, na produção, na pesca, na distribuição de bens e, consequentemente, nos preços de diversos produtos e serviços.

É precisamente neste ponto que cresce o debate político. O PAICV chegou ao poder com a promessa de colocar as pessoas no centro das políticas públicas e combater as dificuldades provocadas pelo elevado custo de vida. Agora, pouco mais de dois meses depois de assumir a governação, os sucessivos aumentos dos combustíveis começam a alimentar críticas e frustração entre os cabo-verdianos.

Em alguns meios, o slogan “Cabo Verde para Todos”, bandeira política utilizada pelo PAICV para chegar ao poder, começa mesmo a ser encarado como uma promessa não cumprida ou, mais duramente, como uma estratégia eleitoral destinada sobretudo a conquistar votos.

A conjuntura internacional ajuda a explicar parte da subida, mas não elimina o debate sobre as medidas que o Governo pode adotar para proteger as famílias, sobretudo as de menores rendimentos, perante uma escalada que ameaça atingir vários setores da economia. O anterior governo do MpD havia adotado medidas para aliviar os aumentos.

O combustível é apenas uma das frentes. Com o aumento dos custos de transporte, energia e produção, outros bens e serviços poderão sofrer novas subidas nos próximos tempos, tornando ainda mais pesada a vida das famílias cabo-verdianas.

A questão que se coloca agora é se o Governo conseguirá transformar a promessa de um “Cabo Verde para Todos” em medidas concretas capazes de travar a deterioração do poder de compra ou se os cabo-verdianos continuarão a pagar, cada vez mais, pela crise internacional e pelo aumento do custo de vida.

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