Magna reunião decorre numa altura em que o Partido liderado por JHA ainda tenta recompor-se das derrotas eleitorais de 2016 e de sucessivas crises internas
Começa esta sexta-feira, 31, na Cidade da Praia, o 16.º Congresso nacional do PAICV, para relegitimar a Presidente reeleita, numas eleições realizadas em dezembro último, e sem adversários, após “todas as truculências” para afastar José Sanches da corrida interna.
A magna reunião decorre numa altura em que o Partido liderado por JHA ainda tenta recompor-se das derrotas eleitorais de 2016 e de sucessivas crises internas. A preparação do Congresso esteve envolto em polémica, e uma das razões da polémica é a escolha de delegados, com JHA a ser acusada por militantes de “escolher a dedos” os delegados, à revelia dos Estatutos do PAICV.
Segundo o Partido, vão tomar parte no Congresso 364 delegados, mas a “grande maioria” foi “escolhida a dedos”, pela Presidente e não pela via de eleição, como seria expectável.
A própria JPAI, da Cidade da Praia, pronunciou-se contra a escolha de seus delegados para o Congresso e confirmou que não houve eleições, pelo que os delegados da Praia, tal como outros irão participar “ilegalmente” na reunião que vai de hoje a domingo.
Estatutos e “recuo de 20 anos”
A revisão dos Estatutos do PAICV é dos temas mais quentes em agenda, devendo ocupar grande parte do debate no sábado.
A liderança de JHA sugeriu um conjunto de propostas a inserir nos Estatutos mas há quem considera que as propostas em pauta configuram um “regresso” aos tempos da antiga União Soviética, ou mesmo um “recuo de 20 anos”.
A se confirmar as alterações, “o PAICV vai estar a voltar” aos tempos da ex- União Soviética, observou um militante que teme as alterações em pauta.
Um outro tema a dividir posições no interior do PAICV, é a liderança do Grupo Parlamentar, que segundo proposta de revisão, passa a ser feita por indicação da Comissão Política Nacional, deixando de ser escolha dos Deputados do Grupo, como ocorre atualmente.
A disciplina de voto é outro assunto não consensual e que a revisão propõe adotar, neste fim-de-semana.
O Congresso pode, ainda, ficar marcado pela ausência de vários rostos da linha da frente do combate político do PAICV, como Filú, Júlio Correia ou mesmo José Sanches. É que estes e outros nomes que integram o Grupo de Reflexão não são bem aceites na reunião do Partido, e JHA não os quer nas próximas estruturas de liderança nacional.
Notícias relacionadas:
JPAI denuncia “desorganização” na preparação do Congresso do PAICV
JHA acusada de “escolher” delegados para Congresso
Novos Estatutos do PAICV “é um regresso” aos tempos da ex- URSS



JHA vai ao congresso, como vai o líder do Partido Comunista Português Jerónimo de Sousa. Reforçar o “centralismo democrático”. Repare bem que o Paicv nunca deixou, apesar das suas máscaras, de ser um partido autoritário, até consigo próprio. Ontem, amigos meus no Paicv estavam numa grande azáfama de ajudar a JHA a escrever um discurso voltado para as origens totalitárias do partido.
Comentários estão fechados.