Como foi a atividade económica em 2023?

O INE divulgou hoje os dados do PIB do IV trimestre e por consequente o PIB anual provisório de 2023.

Como foi a atividade económica em 2023?

O PIB real cresceu 5,1%, após ter crescido 17,4% em 2022. As últimas projeções do Governo e do Banco de Cabo Verde em setembro/outubro de 2023 apontavam para um crescimento de 5,7% e 4,5% respetivamente. Portanto, era expectável uma desaceleração do crescimento, tendo em conta o efeito de base.

O ano de 2023 foi recorde para o turismo, com mais de um milhão de hóspedes em estabelecimentos hoteleiros, representando um aumento de 20,9% em comparação com 2022. Os números atingidos em 2023, equivalem praticamente a aquilo que são as metas do PEDS II para 2026 (1,2 milhões de turistas). Na base desses resultados está sobretudo o bom combate a pandemia realizada pelo país.

Contudo, uma nota menos positiva é que o turismo em 2023 aumentou a sua concentração na ilha do Sal e Boavista para cerca de 83% (75%em 2019), ao contrario daquilo que são as expectativas do Governo na matéria de diversificação do destino turístico do país.

O turismo em várias ilhas está ainda em níveis abaixo do nível pré pandémico (2019).

As metas do PEDS II (Programa Cabo Verde Plataforma do Turismo) para 2026 é que a concentração nessas duas ilhas seja de no máximo 60%.

De forma geral o aumento no numero de turistas favoreceu o crescimento das receitas de exportações de serviços e o aumento do consumo das famílias. De referir que do lado da demanda o maior contributo para o crescimento do PIB veio do consumo das famílias (+5,8 p.p.) após registar um crescimento de 7,7%. Seguem as exportações de serviços (sobretudo turismo) com um contributo de 4.1 p.p.

Diferentemente das exportações de serviços, as exportações de bens registaram uma diminuição de 19%, contribuindo negativamente para o crescimento do PIB em 2,6 p.p. Em volume registaram-se quedas nos produtos do mar e nos calçados e vestuários. Alguns constrangimentos ligados ao setor da pesca entre os quais a infraestrutura portuárias, logística em torna da cadeia de produção e outros relacionadas ao funcionamento das empresas de transformação devem ser solucionadas visando melhorar os ganhos.

As importações por sua vez apresentaram uma diminuição de 8,5%, impulsionada sobretudo pela diminuição das importações de bens (-10,9%), nomeadamente os bens intermediários (produtos alimentares primários, produtos transformados para indústria alimentares, produtos transformados para construção e carpintaria), bens de capital (maquinas) e combustíveis (óleos lubrificantes e gasolina).

O contributo negativo para o crescimento do PIB veio do lado dos investimentos (-6,8 p.p.) após registar uma diminuição de 34,1%. Sendo segundo ano consecutivo de expressiva queda, constituindo um fator que merece atenção, dada a importância desse agregado na sustentabilidade da economia e do mercado de trabalho. Tal processo naturalmente diminui a potencialidade de crescimento do PIB. Está relacionada com a queda dos bens de capital e a performance negativa do setor da construção.

Do lado da oferta, as performances positivas e de maiores contributos para o crescimento do PIB destacam Transporte e armazenagem (+1.5p.p.), Alojamento e restauração (+0.9 p.p.), Administração pública e segurança social (+0.9 p.p.), Atividades imobiliárias (+0.6 p.p.), Atividade de Informação e de comunicação (+0.5 p.p.), Atividades financeiras e de seguros (+0.5 p.p.).

O crescimento do turismo beneficiou o crescimento dos setores conexos, nomeadamente transportes que registaram incrementos em todas as modalidades, bem como as atividades imobiliárias e indústrias transformadoras.

As reformas nos setores das tecnologias de informações em curso têm contribuído para reverter a tendência decrescente que o setor de Atividade de Informação e de comunicação apresentava. Juntamente com o ramo das outras atividades de serviços foram os setores com maior crescimento económico em 2023.

Por outro lado, os ramos de atividades com maior contributo negativo no PIB foram Construção (-0.5 p.p.), Comércio e reparação (-0.5 p.p.) e Agricultura (-0.4 p.p.) seguida de Educação e Saúde e ação social ambas com -0.3 p.p.

O desempenho negativo da construção (15,5%) foi afetado pelo aumento nos custos da produção e dificuldades em obtenção de crédito e taxas de juros elevados.

O ramo do comércio e reparação teve crescimento negativo de 3,7%, derivado sobretudo do fraco desempenho no segundo e terceiro trimestre. Entre os principais constrangimentos nesse ramo constam a insuficiência de procura, rutura de stock e preços de venda demasiado elevado.

O ramo da agricultura por sua vez continua a tendência negativa de vários anos, derivado da seca prolongada e da inercia do setor em introdução e massificação de novas tecnologias de produção, bem como insuficiência mobilização de água.