COVID-19: A arma de luta entre a China e o resto do mundo

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Sabemos que o COVID-19 teve origem na China em princípios de Dezembro de 2019. O que não sabemos é se foi num mercado aberto em Wuhan ou num laboratório da mesma cidade. Compete aos investigadores internacionais independentes conduzir um verdadeiro e transparente inquérito sobre as causas, responsabilizar, criminalmente, caso se provar que foi a China o país responsável por essa hecatombe, e exigir dos autores dessa pandemia, as devidas compensações pelos incalculáveis prejuízos sociais e económicos causados a nível planetário.

É sabido que o Presidente dos Estados Unidos não foi o único com um discurso crítico pelo facto da China não ter comunicado, em tempo útil, a gravidade da doença e sua propagação. Também o primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, pediu uma avaliação independente sobre a resposta da OMS ao surto.

Por seu lado a União Europeia propôs recentemente uma resolução que vai no mesmo sentido, num momento em que o Diretor-geral da OMS se encontra fragilizado, não só por os Estados Unidos terem anunciado o corte ou a redução da sua contribuição financeira, mas também pelo facto dele ter declarado estar “muito impressionado com o conhecimento detalhado do Presidente chinês sobre o surto”. Enquanto isso, o diretor-geral da OMS garantia que a China estava “completamente comprometida com a transparência, interna e externa”.

Enquanto cada país afetado ainda está a braços em como combater a doença, prevenir a sua propagação, descobrir, testar e aceder à vacina e ao tratamento, não deixa de ser legítimo levantar alguns questionamentos e lançar um debate desapaixonado sobre como a pretensão da China em ser a primeira potência económica mundial (pretensão legítima) parece enquadrar-se em tudo isto.

Várias são as questões que se nos colocam em relação às origens do COVID-19, mas as seguintes, a meu ver, afiguram-se mais pertinentes:

  1. Porquê é que o COVID-19 não chegou a Pequim, a cidade capital da China, a cerca de 1.154 quilómetros de Wuhan e com mais de 22 milhões de pessoas, mas viajou mais de 10.000 quilómetros para atingir continentes como a Europa, as Américas e a África?
  2. Porquê é que o COVID-19 não chegou a Xhangai, a cidade capital da China, a cerca de 840 quilómetros de Wuhan e com mais de 24 milhões de pessoas, mas atingiu já quase a totalidade dos países do mundo?
  3. Porque é que os mercados financeiros chineses não sucumbiram e os mercados americano e europeu têm dado sinais preocupantes, face à paralisação económica decorrente da crise sanitária?
  4. Porquê é que o Governo Chinês silenciou e perseguiu o médico de Wuhan, que foi o primeiro a alertar sobre os casos positivos detetados e que acabou também por ser infetado e por falecer?
  5. Porquê é que o Dr. Zhong, o Dr. Faucci da China, em entrevista à CNN, no dia 17/05/20, alegou que as autoridades locais não deram nenhuma atenção ao seu alerta, de que há uma sub-quantificação dos casos reais do COVID-19 naquele país?

A competição económica entre os Estados Unidos e a China não é de agora. Fruto da abertura da economia chinesa ao capital estrangeiro em 1979, com a introdução de profundas reformas ao sistema económico socialista em vigor até essa data, fluxos massivos de capital e de tecnologia das multinacionais invadiram a China, acompanhados da abertura dos mercados americano e europeu aos produtos e serviços chineses. Disto resultou, quarenta anos depois, uma economia desenvolvida, com rendimentos per capita elevadíssimos, maior compradora das dívidas públicas do Ocidente. Além disso a China é o maior país emissor de fluxos turísticos e o maior investidor em quase todo o mundo.

O país soube aproveitar, e bem, dessas oportunidades. Absorveu os conhecimentos técnico-científicos, investiu na pesquisa e desenvolvimento e se transformou numa grande fábrica do mundo numa das maiores nações exportadoras.

Temos que recuar ao ano de 2017, com o aumento de tarifas, decretado por Donald Trump, sobre os produtos importados da China, como forma de proteger a indústria americana. A China não gostou, como é evidente, tendo em conta que os Estados Unidos representam o maior mercado de exportação dos produtos chineses.

Desde então várias rondas de negociações comerciais foram conduzidas entre os dois países, tornando-se claro que a economia americana estava a tirar maiores vantagens do que a chinesa dessa barreira tarifária imposta pela administração Trump, com reflexos numa economia em crescimento robusto, mercados financeiros em forte ascensão, dólar mais forte, desemprego mais baixo dos últimos cinquenta anos, etc. etc.).

São ganhos económicos da presidência de Trump, goste-se ou não do seu estilo, enquanto presidente da nação mais poderosa do planeta.

Está claro que aos olhos de todo o mundo, a China não se contenta com o estatuto de segunda economia mundial. A meta traçada pelo presidente Xi Jinping é destronar os Estados Unidos e, ao que tudo indica, todos os meios são válidos, incluindo a guerra biológica, como parece ser a utilização do COVID-19, até prova em contrário.

Dominar o mundo de forma rápida e com pequenos riscos de retaliação, foi a estratégia do governo chinês que um pouco tardiamente, lançou o alerta em quase todo o mundo.

E qual terá sido esta estratégia? Tudo leva a crer que ela tenha passado pelo seguinte:

(1) Criar um vírus e um antídoto;

(2) Espalhar o vírus pelo mundo;

(3) Demonstrar eficiência, na construção e equipamento de um grande hospital em poucos dias. Afinal de contas, já estavam preparados, com projetos, equipamentos, pessoal qualificado e treinado, redes de água e esgotos, volumes impressionantes de materiais de construção pré-fabricados e armazenados;

(4) Criar o caos pelo mundo, começando pela Europa;

(5) Infetar, rapidamente, as economias de uma dúzia de países;

(6) Paralisar as linhas de produção das fábricas noutros países;

(7) Provocar quedas dos mercados de títulos e ações e comprar empresas a preços baixos;

(8) Controlar rapidamente a pandemia na China, porque, afinal de contas, já estavam preparados para isso!;

(9) Fazer baixar o preço dos commodities, incluindo o petróleo, que compra ao mercado mundial, em grandes quantidades;

(10) Retomar o funcionamento das suas fábricas, exportando matérias de bio-segurança para o mundo inteiro, enquanto este estiver paralisado, a tentar encontrar soluções para a pandemia;

(11) Despoletar uma ajuda de emergência de US$ 2 bilhões, sobretudo, para os países africanos, afim de tentar minimizar os prejuízos causados.

Afinal de contas o que se pode comprar barato em tempos de crise, pode-se vender caro em tempos de extrema e urgente necessidade.

2 COMENTÁRIOS

  1. Primeiramente, o debate que se impõe, mas nesta etapa e como dizia o Marques de Pombal “curar dos vivos e enterrar os mortos”. Segundo a China não tem duas cidades capitais, Xhangai e Pequim. A primeira é referida, muitas vezes como ‘capital’ financeira da China, por hospedar em seu solo as grandes multinacionais, bolsa de valores, empresas francas e também os ‘novos ricos’ do Partido Comunista. Terceiro, é também facto, que o mercado financeiro mundial está de pernas para o ar, a ponto de nos USA poder vir custar a eleição ao D. Jr Trump e aos Republicanos. Mas na China, precisamente em Shangai não se tem a notícia. É em Shangai que está localizada a maior parte das multinacionais que fornecem suprimentos para o mundo fazer face à COVID-19. Porém, são empresas de capital estrangeiro. Pouco desses milhões é retido na China. Quarto, ninguém pensa ganhar dinheiro e fazer a vida com uma doença, já que só haverá lucros enquanto houver doença. Nenhuma matriz industrial de nenhum País é montada pensando numa pandemia. Não que não haja problemas, não é noticiado. Um caso para estudos, ao mesmo tempo que todos fazem contas à vida com a recessão económica (tenho, por isso muita pena do nosso Ministro Olavo, mas é um homem sábio), menos na China. Pelo menos, que se tenha notícia. Agora, a propagação e difusão da COVID-19 em território chines ou noutro lugar não obedece a uma logica mecânica ou física. Onde estão reunidas as condições físicas, económicas, sociais, antropológica e outras ela avança, derrubando barreiras. Há países fortemente afectados, com parcelas de seus territórios sem casos notificados. A China é um caso a parte, tal como a Rússia e outros países. As fontes de informações sobre os casos é muito centralizada no que são os interesses superiores do partido ou do Chefe de Estado. Assim, nada garante que nas duas cidades citadas não tenham sido havido caso. Porém a sua notificação, como em Whuam é muito complexa.

  2. Eu gostaria de felicitar o sr. Benvindo Rodrigues pelo seu artigo, do meu humilde ponto de vista, com informações pertinentes, bem estruturadas e bem fundamentadas sobre uma tese, que entranha todo o texto, de uma possível teoria de conspiração, arquitetada pela grande potência económica mundial, a China, a qual se vem evidenciando, cada vez mais, às custas da grande pandemia da Covid-19. Sou da opinião de que a China tem mais esclarecimentos a prestar ao mundo sobre a origem do maldito vírus que segue desgraçando todos os continentes, sobretudo os mais vulneráveis. Para qualquer pessoa, minimamente informada, a China é uma das mais importantes ditaduras do planeta e, como tal, possui um regime de censura, de total controlo da informação que deve ser veiculada, com perseguição, tortura e pena de morte para aqueles que, internamente, ousam desafiar os propósitos sistema do Partido Comunista chinês. Penso que, de acordo com informações que vão sendo disponibilizadas ao entendimento comum, a forma como desde o início a China geriu o surto e a dessiminação do novo coronavirus, quer dentro do País, quer além fronteiras, a notícia sobre perseguição do médico que havia anunciado a existência e a magnitude do novo coronavirus, o qual viria a sucumbir ao próprio vírus, deixam, no mínimo, qualquer cristão com “uma pulga atrás da orelha”. Não menos importantes são, também, as dúvidas da Comunidade Internacional sobre uma eventual cumplicidade da OMS, Organização Mundial da Saúde, sobre todo o desenrolar do processo da dessiminação do novo coronavirus, a ausência de qualquer reparo sobre o comportamento da China e os rasgados elogios daquela Organização em relação ao mesmo comportamento. Assim, existe, sim, a necessidade urgente de uma investigação internacional independente sobre tudo o que se passou até agora. As questões levantadas pelo sr Benvindo Rodrigues na sua exposição, a serem comprovadas, revelam um grande egoísmo da parte da China que, a sua luta titânica para alcançar a hegemonia económica mundial sobre os EUA, acaba por aplicar um golpe fatal na vida de milhões de seres humanos, com sequelas que a humanidade demorará, seguramente, muito tempo para suavizar. A China, depois de implementar as primeiras etapas da sua estratégia maquiavélica, eis qe aparece, agora, como a savadora do mundo, comprando, por muito barato, a ignorância, a pobreza, a falência de Estados, empresas, pessoas, etc, através de supostas ajudas com equipamentos de proteção e de combate à pandemia, fabricando e comercializando muitas toneladas desses produtos numa clara recuperação e fuga em trente no fortalecimento da sua economia. Enquanto todos vejetam, a China vai cumprindo, rigorosamente cada etapa da sua guerra económica, que se atingisse apenas os EUA, “farinha do mesmo saco”, tudo bem. Seria uma vaidade a pisar a outra vaidade – no dizer do filósofo grego que foi visitar Platão à sua mansão. Enfim, quando ela entender poderá, então, apresentar o “último antídoto” para vergar, de vez, o mundo aos seus pés.

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