Covid-19. Baixa mortalidade na Alemanha intriga especialistas

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Com uma dimensão semelhante a Espanha e com uma população tão envelhecida como a de Itália, a Alemanha continua a registar uma taxa de mortalidade relativamente baixa apesar do número elevado de casos

A Europa é atualmente o epicentro da pandemia de Covid-19. Diariamente, vários países do Velho Continente divulgam números crescentes do número de mortes e de pessoas infetadas com o novo coronavírus. No entanto, o caso da Alemanha está a intrigar especialistas. O País apresenta um elevado número de casos de infeção, 29.056, mas a taxa de mortalidade é muito baixa, 123.

Por si só, este já seria um dado interessante. Mas torna-se ainda mais relevante se compararmos com a dramática progressão da Covid-19 em Itália, 63.927, e Espanha, 35.068, países que registam das mais altas taxas de mortalidade no mundo.

As semelhanças entre estes três gigantes da Europa são notórias. São territórios de grandes dimensões e no caso de Alemanha e Itália, há um traço distinto que os une.

De acordo com dados do Population Reference Bureau, ambos apresentam as mais elevadas percentagens de cidadãos com 65 ou mais anos na Europa. Aliás, convém salientar que o Bloomberg Global Health Index sugere que os Italianos até têm um estilo de vida mais saudável que os Alemães.

Entre as explicações avançadas para a discrepância no número de mortes está a alta taxa de testes efetuados na Alemanha, o que permite uma aproximação mais precisa à ameaça do coronavírus, como refere o The Guardian. Mesmo os cidadãos que apresentam sintomas mais leves são testados relativamente cedo, o que confere uma perceção mais rigorosa da forma como vírus se propaga.

A Alemanha tem capacidade para realizar cerca de 12 mil testes por dia. Embora a sua taxa de testes seja inferior à da Coreia do Sul, por exemplo, definiu linhas de orientação há mais de um mês para que os cidadãos com sintomas leves fossem testados, assim como pessoas que contataram com alguém infetado ou que tivessem viajado para zonas consideradas de alto-risco, como a Lombardia.

As ruas de Berlim também estão por estes dias mais desertas.

Outro dado importante é o tempo de preparação. Marylyn Addo, que lidera o departamento de infecciologia do Centro Médico da Universidade de Hamburgo, ressalvou ao The Guardian que, ao contrário dos hospitais do norte de Itália, que ficaram assoberbados de novos pacientes, a Alemanha ainda não atingiu a sua capacidade total e teve mais tempos para libertar camas (os hospitais Alemães contavam com 28 mil camas nos cuidados intensivos antes da pandemia, e o Governo de Angela Merkel pretende duplicar este número), reforçar o stock de equipamento e redistribuir o pessoal médico.

“Uma vantagem na Alemanha é que começámos a fazer contatos profissionais para rastrear quando os primeiros casos foram registados. Ganhámos algum tempo para preparamos as nossas clínicas para a tempestade que aí vinha”, frisa Addo.

O perfil etário das pessoas afetadas na Alemanha nas primeiras semanas também difere do de outro países. Os pacientes eram mais novos, o que ajuda a explicar a baixa a taxa de mortalidade. Um dado relevante face ao caso de Itália, onde a maioria das vítimas mortais são idosos.

Com Notícias ao Minuto