Cristãos de Gaza mantêm ajuda humanitária apesar da guerra e da redução da comunidade

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Responsável do Patriarcado Latino de Jerusalém revela que apenas cerca de 600 cristãos permanecem em Gaza, mas continuam a apoiar dezenas de milhares de pessoas através da distribuição de alimentos, assistência médica e apoio social

A pequena comunidade cristã que permanece na Faixa de Gaza continua a desempenhar um papel crucial na assistência humanitária à população afetada pela guerra. A garantia foi dada pelo padre Davide Meli, chanceler do Patriarcado Latino de Jerusalém, que destacou o trabalho desenvolvido pela Igreja Católica no território palestiniano, apesar da redução significativa do número de cristãos.

Em entrevista à Renascença e à Agência Ecclesia, o sacerdote afirmou que a comunidade cristã em Gaza passou de mais de mil fiéis para cerca de 600 pessoas desde o início do conflito, devido a mortes e emigração. Ainda assim, a Igreja da Sagrada Família, a única paróquia católica do enclave, continua a servir de base para a distribuição de ajuda humanitária a dezenas de milhares de habitantes, independentemente da sua religião.

“Distribuímos milhares e milhares de toneladas de ajuda humanitária ao longo dos últimos dois anos”, afirmou Meli, sublinhando que o trabalho da comunidade cristã tem sido determinante para garantir alimentos e bens essenciais à população.

Além da assistência humanitária, o Patriarcado Latino de Jerusalém mantém o investimento na educação e na saúde. Segundo o responsável, as escolas ligadas à Igreja acolhem anualmente cerca de 20 mil estudantes, na sua maioria não cristãos, promovendo o diálogo, a convivência e a construção da paz entre diferentes comunidades.

O sacerdote alertou também para os efeitos negativos da diminuição das peregrinações à Terra Santa, consequência da guerra, considerando que a presença de peregrinos representa uma importante fonte de apoio económico e espiritual para as comunidades locais.

Apesar das dificuldades e dos episódios recentes de tensão envolvendo cristãos em Jerusalém, Davide Meli defende que a educação das novas gerações continua a ser o caminho mais promissor para combater a violência e fortalecer uma cultura de diálogo e respeito mútuo na região.

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