Críticos seletivos

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A Máxima é: criticar sempre, e duramente, atos do partido no poder e do governo, mas nunca atos cometidos pela força política das suas simpatias – que não é o partido da atual situação – ou por quem lhes é partidariamente próximo. Interesses eleitoralistas acima de tudo.

É salutar o facto de a cada cidadão reservar-se-lhe a liberdade de criticar o que bem entender, e até o que bem lhe convier. É um ato de manifestação da Liberdade de Expressão consagrada na nossa Constituição da República aprovada em 1992.

Vejo por aí um grupo de chamadas vozes atentas da sociedade civil, autoproclamados defensores de certos valores e críticos atentos, segundo eles, de certas práticas do poder político que entendem poder lesar o bem comum. Em suma, assumem-se como vozes defensoras de tudo o que seja o interesse público.

Alguns, figuras conhecidas da nossa sociedade, outros, nem tanto, mas dada a permanente atividade nas redes sociais e em jornais online toda a gente passa a ser conhecida do grande público.

Até aí tudo certo, nada a contrapor, já que é legitimo e necessário a sociedade civil ter vozes atentas e ativas e ser um fiscalizador do poder político que tem por missão gerir o bem comum. Trata-se de um nobre e útil exercício de cidadania, exteriorização da liberdade de expressão de que gozamos.

É de esperar que defender o interesse publico consiste em não praticar atos lesivos do mesmo, mas ao mesmo tempo denunciar e criticar atos que o lesem, independentemente de quem os pratica, da sua cor política, do cargo que ocupa, enfim, dos seus lindos olhos etc.

Vale dizer, e espera-se, que um verdadeiro defensor do interesse público, pelo menos, é aquele que não fecha os olhos a atos lesivos do bem comum quando praticados por quem lhe é partidária ou ideologicamente próximos. A isto se pode entender como defesa do interesse público de modo insuspeito, ou seja, sem nenhuma motivação obscura por detrás.

Porém, é o que não acontece com essas tais chamadas vozes atentas da sociedade civil, pois, a avaliar pelos critérios próprios com que escolhem temas ou casos que entendem dever ser alvos de suas duras e implacáveis críticas, facilmente se percebe que na prática, afinal, não passam é de autênticos CRÍTICOS SELETIVOS, dada a seletividade na escolha dos casos e na dureza das suas críticas.

Nos seus escritos, usam e abusam de adjetivos altamente pejorativos quando se referem a figuras ligadas ao partido atualmente no poder – o MpD – e ao governo, e a medidas por estes tomadas que não sejam dos seus agrados, o que, lido nas entrelinhas, deixa demonstrado, nuns casos, uma motivação de pintar do mais negro possível essa força política e o governo que sustenta, mas também deixa no ar, noutros casos, a ideia de estarem movidos/amarrados por algum ressentimento político-partidário do passado.

À cautela, essas figuras fazem-se passar por “apartidários”, (pseudo) neutralidade, escondendo sempre atrás de uma alegada não filiação/militância partidária, como se isso bastasse para não se ser ideológica e/ou empenhadamente partidário, pois esquecem que pode-se ser ideológica e/ou empenhadamente partidário, mas sem militância formal, pelo menos é o que se vislumbra do comportamento desses supostos críticos defensores do interesse publico.

A estratégia utilizada é de fácil perceção, pois o objetivo desse alegado “apartidarismo” é o de atirar poeira aos olhos de quem os ouve e/ou de quem os lê, ou seja, através desse malandreco disfarce – a invocada (pseudo) neutralidade partidária -, tentam parecer insuspeitos nas análises e opiniões que emitem.

Curioso é que quando esses críticos seletivos querem demonstrar o seu (mal) encenado “apartidarismo”, desatam a criticar de forma abstrata e generalista, sem especificar, os que eles apelidam de detentores do poder político, fazem-na sempre com argumentos pejorativos e como que a meter todos no mesmo saco, querendo passar a ideia de que nenhum político neste país é sério.

No que se refere aos partidos, ainda na desajeitada demonstração desse (mal) encenado “apartidarismo”, criticam duramente apenas o partido no poder – o MpD -, seus dirigentes e o governo, mas ao Paicv limitam-se a tecer ligeiríssimas críticas, sem importância de maior, a que se pode chamar de pequeninas “cócegas”, que não prejudicam a imagem dessa força política, o que já em si deixa escapulir que de “apartidários” essa classe de críticos seletivos nada tem.

Portanto, e astutamente, criticando duramente o MpD e o governo, fingindo criticar o Paicv e espalhando a narrativa de falta de credibilidade dos políticos cabo-verdianos, é usando desses truques que essa classe suspeita tenta fazer crer à opinião pública cabo-verdiana da sua alegada (pseudo) neutralidade político partidária, tudo com o claro propósito, reafirmamos, de afastarem qualquer suspeita que possa recair sobre seus pontos de vista.

É nisto que consiste o (mal) encenado “apartidarismo” dessa classe, basta estar atento para se perceber que apesar de todos as tentativas de disfarçar, não conseguem esconder o que representam, ou seja, que, na verdade, não passam de disfarçados paicevistas empenhados, sem militância formal.

Voltando aos critérios próprios usados por essa classe na escolha de temas ou de casos alvos de suas duras e implacáveis críticas, é notório que só visam atos praticados por quem lhes é partidariamente oposto, para ser mais preciso, quando se trata de atos praticados por pessoas ligadas ao MpD ou ao governo.

Quando se trata de casos protagonizados por pessoas que lhes são partidariamente próximas – portanto, do PAICV -, já não são duramente críticos, limitam-se a habilidosas tentativas de justificação, a passar paninhos quentes, ou então, fingem não ver ou ignorar como se nada tivesse acontecido. Assim, é de perguntar: afinal, onde está esse alegado sentido de defesa do interesse público? A resposta só pode ser uma: foi comido por interesses paicevistas que movem essa classe!

Um exemplo concreto da seletividade desses supostos críticos é o sobejamente conhecido e badalado caso protagonizado pelo atual Presidente da República (PR) em atribuir “salário à primeira-dama”, ato que além de imoral e antiético, é gravemente violador da sagrada Constituição da República e demais legislação ordinária de que o Mais Alto Magistrado da Nação devia ser o guardião do seu rigoroso cumprimento, e não ser ele próprio a violá-la, como aconteceu.

 Mormente tratando-se de um PR, formado em Administração Pública, que além de já ter exercido o cargo de Primeiro-ministro durante 15 longos anos, chegou a exercer, ainda antes, e por vários anos, funções na Função Pública caboverdiana, o que deixa demonstrado que ele PR sabia muito bem que a figura “primeira-dama” é um mero título que protocolarmente se atribui à esposa do PR ou a quem com ele viva unido de facto. Tal figura não se encontra prevista na Constituição da República, nem em legislação ordinária, e por isso não é um função/cargo público, não exerce função oficial, logo não pode ser remunerada.

Perante este cenário, resulta evidente que o atual PR, mesmo tendo a consciência da grave ilegalidade do seu ato, violação da Constituição da República (que ele tem a missão de defender) e demais legislação, não se coibiu de o praticar, o que já é em si um agravante.

No entanto, pese embora a enorme gravidade e possíveis consequências administrativas e criminais legalmente previstas para um ato de tal natureza, sem falar das consequências políticas, que até podem resultar na destituição do cargo, este caso grave de violação da Constituição da República e lesivo do interesse público, não mereceu dessa classe (daí serem SELETIVOS) qualquer dura e implacável critica.  Limitaram-se, por meio de ridículas ginásticas argumentativas, a tentar justificar o ato, a passar paninhos quentes e até a quererem atirar as culpas para outros lados, tudo com o vergonhoso propósito de darem uma ajudinha na “ilibação” do PR.

Isto tudo porquê? É obvio, porque o atual PR é-lhes partidáriamente próximo, daí essa seletividade.

Já agora, é caso para se dizer que A MÁXIMA DOS CRÍTICOS SELETIVOS É: criticar sempre, e duramente, atos do partido no poder e do governo, mas nunca atos cometidos pela força política das suas simpatias – que não é o partido da situação – ou por quem lhes é partidariamente próximo. Interesses eleitoralistas acima de tudo.

Outro exemplo concreto da seletividade critica dessa gente tem a ver com os inúmeros casos, ainda de suspeição, de lesa interesse público protagonizados por Francisco Carvalho, atual líder do PAICV e Presidente da CMP, casos denunciados por próprios elementos da sua equipa camarária, e não só, e que se encontram sob investigação, que também não mereceram qualquer dura e implacável critica por parte desses supostos críticos e vozes atentas.

Isto porquê? Porque o Francisco Carvalho é-lhes partidariamente próximo, daí mais essa seletividade, sempre imbuídos daquela máxima.

No entanto, quando uma mera suspeição, mesmo que nem sequer esteja sob investigação, recai sobre um elemento do MpD ou do governo, o comportamento deles, dos tais críticos, já é bem diferente, empolam-na e fazem um alarido e escândalo social a ponto de parecer que o “suspeito” já está condenado.

Já imaginaram uma situação, hipotética, em que o ato “salário à primeira-dama” tivesse sido praticado por um PR (que não o JMNeves) pertencente à esfera política do MpD? O que de duro e implacável esses críticos seletivos, imbuídos do espírito de autoproclamados defensores do interesse público, não teriam escrito? Que alarido e escândalo social não teriam provocado? Seria um Deus nos acuda com essa gente. Teriam passado meses a escreverem longos artigos nos jornais com os adjetivos mais pejorativos possíveis sobre o caso; teriam longos tempos de antena na nossa rádio e televisão públicas a falarem do caso; teriam implorado todos os dias ao Ministério Público (MP) que agisse o mais rapidamente possível no sentido de deduzir acusação contra o PR; teriam pedido sistematicamente ao PR a imediata renuncia do cargo pelo ato imoral, antiético e violador da Constituição por ele praticado; teriam atribuído a culpa do ato exclusivamente ao PR e a mais ninguém; teriam pedido ao Supremo Tribunal da Justiça imediato julgamento, com condenação e consequente perda do direito de voltar a concorrer às presidenciais, e mais tudo o que lhes viesse à cabeça.

Mas já imaginaram, ainda nesta situação hipotética, um cenário em que contra o PR (pertencente à esfera política do MpD) não fosse deduzido qualquer acusação pelo escandaloso ato praticado, como, inconcebivelmente, a nosso ver, veio muito recentemente a suceder em relação ao JMNeves? Perante isto, o que é que de bombástico esses críticos seletivos não teriam escrito e insinuado em relação ao comportamento do Ministério Público (MP)? Que promiscuidade não teriam insinuado nas relações entre o poder político e o MP e a Justiça no seu todo?

Isto porquê?  Porque teria sido um PR pertencente à família política oposta, do MpD. Teriam seguido aquela máxima de: criticar sim, mas só os partidariamente opostos.

Resumindo, esses autoproclamados vozes atentas da sociedade civil e defensores do interesse público não são mais do que CRITICOS SELETIVOS que só criticam atos praticados por gente do MPD e governo, mas que fecham os olhos e ficam caladinhos ou limitam-se a justificar com argumentos estapafúrdios e a passar paninhos quentes, quando se trata de atos praticados por gente do Paicv, como foi no “caso dos 310” do atual PR José Maria Neves e nos casos do Francisco Carvalho, sem falar de vários outros casos acontecidos sobretudo de 2001 a 2016, em que essa gente esteve “desatenta”, remetidos ao total silêncio.

Fica o diagnóstico desses arvorados defensores do interesse público, que não são nada mais do que disfarçados paicevistas empenhados, travestidos de uma (pseudo) neutralidade político-partidária sustentada numa enganosa não formal militância partidária, tudo ao serviço eleitoralista do Paicv, sob capa de defensores do interesse publico.

Só conseguem enganar os distraídos, poucos!  Ao atento povo cabo-verdiano não enganam!