O debate promovido pela RCV e TCV, no âmbito das eleições legislativas, ficou marcado por divergências entre MpD, UCID e PP sobre os vários temas abordados, com os líderes partidários a apresentarem diagnósticos distintos e propostas para o País
A economia abriu o debate eleitoral realizado esta noite pela RTC, com o Presidente do MpD, Ulisses Correia e Silva, a reconhecer um contexto internacional “volátil e instável”, marcado por conflitos no Médio Oriente, inflação e incertezas. O também Primeiro-Ministro assegurou, no entanto, que o Governo está empenhado em proteger as pessoas e a economia, à semelhança do que aconteceu durante a crise provocada pela guerra na Ucrânia, admitindo novas medidas caso o cenário se agrave.
Já o líder da UCID, João Santos Luís, considerou que o País deveria dispor de “almofadas” económicas para enfrentar choques externos, criticando sucessivos governos desde a independência por não criarem essas condições. Defendeu ainda a revisão da carga fiscal como forma de aliviar o custo de vida. Por sua vez, o Presidente do PP, Amândio Barbosa Vicente, associou o agravamento da situação económica internacional ao empobrecimento das famílias, devido à inflação.
Nos transportes marítimos, o PP criticou o modelo de concessão em vigor, classificando-o como “lesivo ao País” e acusando o Estado de continuar a injetar recursos em empresas que deveriam ser autossuficientes. Em resposta, Ulisses Correia e Silva distinguiu concessão de privatização e reconheceu a necessidade de ajustes no modelo, apontando investimentos em novos navios para reforçar a ligação interilhas.
A UCID classificou o contrato com a concessionária como “leonino” e defendeu uma aposta na capacidade nacional.
Nos transportes aéreos, o líder do MpD reiterou a estratégia de separação entre linhas domésticas e internacionais, destacando a retoma da TACV e a abertura a voos low cost. Já João Santos Luís criticou o custo elevado das passagens e a opção pelo regime de wet leasing, enquanto o PP defendeu que a TACV deve concentrar-se apenas no mercado interno.
No setor da saúde, os três Partidos reconheceram desafios. A UCID apontou “graves problemas”, apesar dos avanços em infraestruturas, enquanto o PP criticou as listas de espera e propôs a redução das taxas moderadoras. Ulisses Correia e Silva destacou melhorias registadas, mas admitiu que ainda não se atingiu o nível desejado, avançando com a construção do hospital nacional na Cidade da Praia como prioridade.
A segurança também esteve em debate, com o PP a alertar para um clima de “pânico” na população e a defender maior policiamento de proximidade. O MpD contrapôs com dados de redução de homicídios e reforço de efetivos policiais, enquanto a UCID propôs novas políticas para o setor.
O debate evidenciou diferenças claras entre as formações políticas quanto às soluções para os principais desafios do País, num momento central da campanha para as eleições legislativas, e ficou marcado pelas ausências dos Presidentes do PAICV e do PTS.


