Declarações do PR geram perplexidade e indignação

2

Num momento em que Cabo Verde vive uma das mais extraordinárias páginas da sua história desportiva, as declarações do Presidente da República à comunicação social brasileira estão a suscitar forte controvérsia entre adeptos e observadores nacionais.

Numa intervenção considerada por muitos profundamente infeliz para o momento de celebração que o País atravessa no Mundial de 2026, o Chefe de Estado manifestou o desejo de ver, no futuro, a Seleção Nacional orientada pelo treinador português Abel Ferreira, atualmente à frente do Palmeiras. As declarações foram recebidas com surpresa e interpretadas por vários setores da sociedade como um gesto de pouca elegância para com o atual selecionador nacional, Bubista, com a equipa em plena competição e com a própria nação cabo-verdiana.

Depois da histórica participação dos Tubarões Azuis no Mundial, numa campanha que encheu o País de orgulho e projetou Cabo Verde para o mundo, muitos cabo-verdianos ficaram perplexos ao ouvir o mais alto magistrado da Nação defender a possibilidade de um treinador estrangeiro assumir os destinos da Seleção.

A estranheza torna-se ainda maior pelo facto de as declarações surgirem num momento em que Bubista é amplamente reconhecido como um dos principais responsáveis pela afirmação internacional do futebol cabo-verdiano. Sob a sua liderança, Cabo Verde alcançou resultados que poucos julgavam possíveis há apenas alguns anos, conquistando respeito além-fronteiras e elevando o nome do País nos maiores palcos do futebol mundial. O reconhecimento do seu trabalho foi recentemente reforçado com a distinção de melhor treinador africano da atualidade.

Num momento de celebração nacional, muitos entendem que o Presidente da República deveria ser o primeiro a valorizar os talentos nacionais e a reconhecer o mérito daqueles que contribuíram para esta conquista coletiva. Por isso, as suas palavras são vistas por muitos como um sinal contraditório, capaz de ofuscar, ainda que involuntariamente, o extraordinário trabalho desenvolvido por Bubista e pela sua equipa técnica.

A questão que se coloca é simples: se nem nós próprios valorizamos os nossos melhores talentos quando alcançam feitos extraordinários, quem o fará?

Cabo Verde precisa de continuar a acreditar nos seus recursos humanos, nos seus treinadores, nos seus atletas e nos seus profissionais. O sucesso dos Tubarões Azuis não pertence apenas a um treinador ou a uma geração de jogadores; pertence a um povo inteiro que, contra todas as adversidades, continua a demonstrar ao mundo que a dimensão geográfica de um país nunca limita a dimensão dos seus sonhos.

Mais do que uma discussão sobre nacionalidade, esta é uma questão de reconhecimento, respeito e valorização do mérito. E, neste momento histórico, muitos cabo-verdianos consideram que Bubista merece aplausos, gratidão e reconhecimento,  não dúvidas sobre a sua competência.

2 COMENTÁRIOS

  1. Bubista, jogadores e equipa técnica colocaram a seleção Cabo-verdiana e a imagem de Cabo Verde na boca do Mundo. Assim sendo, penso ser o momento para começarmos a refletir sobre a profissionalização dos treinadores e jogadores do futebol e no futuro nas outras modalidades desportivas. Viva Seleção de nôs tud.

Comentários estão fechados.