Num momento em que Cabo Verde vive uma das mais extraordinárias páginas da sua história desportiva, as declarações do Presidente da República à comunicação social brasileira estão a suscitar forte controvérsia entre adeptos e observadores nacionais.
Depois da histórica participação dos Tubarões Azuis no Mundial, quando o País inteiro celebra o talento, a determinação e a competência demonstrados dentro e fora das quatro linhas, muitos cabo-verdianos foram surpreendidos ao ouvir o Chefe de Estado manifestar o desejo de ver um treinador estrangeiro à frente da Seleção Nacional.
A perplexidade aumenta pelo facto de estas declarações surgirem numa fase em que Bubista é amplamente reconhecido como um dos grandes responsáveis pelo crescimento do futebol cabo-verdiano, tendo inclusivamente vencido o prémio como o melhor treinador africano da atualidade. Sob a sua liderança, Cabo Verde alcançou resultados que poucos imaginavam possíveis há alguns anos, conquistando respeito internacional e elevando o nome do País nos maiores palcos do futebol mundial.
Num momento de celebração nacional, muitos consideram que o mais alto magistrado da Nação deveria ser o primeiro a valorizar os desportistas nacionais e a reconhecer o mérito daqueles que contribuíram para esta conquista coletiva. As palavras do Presidente são vistas por muitos como um sinal contraditório, capaz de diminuir o impacto do trabalho realizado por Bubista e pela sua equipa técnica.
A questão que se coloca é simples: se nem nós próprios valorizamos os nossos melhores talentos quando alcançam resultados extraordinários, quem o fará?
Cabo Verde precisa de continuar a acreditar nos seus recursos humanos, nos seus treinadores, nos seus atletas e nos seus profissionais. O sucesso dos Tubarões Azuis não pertence apenas a um treinador ou a uma geração de jogadores; pertence a um povo inteiro que, contra todas as adversidades, continua a provar ao mundo que a dimensão geográfica nunca limitou a dimensão dos seus sonhos.
Mais do que uma discussão sobre nacionalidade, esta é uma questão de reconhecimento, respeito e valorização do mérito. E, neste momento histórico, muitos cabo-verdianos entendem que Bubista merece aplausos, não dúvidas.


