Défice comercial de Cabo Verde agrava-se 255,5% no terceiro trimestre de 2026

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A evolução foi marcada pelo forte crescimento das importações, que subiram 244,4%

O défice da balança comercial de Cabo Verde aumentou 255,5% no terceiro trimestre de 2026, atingindo 175.091 milhões de escudos, contra 49.249 milhões no mesmo período do ano passado. A evolução foi marcada pelo forte crescimento das importações, que subiram 244,4%, segundo dados provisórios divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Entre julho e setembro, o valor das importações passou de 51.608 milhões para 177.728 milhões de escudos. Este aumento foi sobretudo influenciado pela entrada de reatores e caldeiras, cuja importação atingiu 118.060 milhões de escudos, face aos 2.855 milhões registados no terceiro trimestre de 2025.

Com este crescimento, os reatores e caldeiras passaram a representar 66,4% do total das importações, enquanto no período homólogo correspondiam a apenas 5,5%. Sem esta categoria, o aumento das importações teria sido de 22,4%.

As exportações nacionais tiveram uma evolução positiva, mas em menor escala, crescendo 11,8% e passando de 2.359 milhões para 2.637 milhões de escudos. Já as reexportações aumentaram 51,7%, alcançando 11.048 milhões de escudos.

A taxa de cobertura das importações pelas exportações nacionais fixou-se em 1,5%, abaixo dos 4,6% registados no mesmo período de 2025, refletindo o agravamento do desequilíbrio comercial.

Os preparados e conservas de peixe continuaram a liderar as exportações, representando 64,6% do total, seguidos dos selos postais, com 21,7%, e do vestuário, com 4,8%. A Europa manteve-se como principal destino dos produtos nacionais, absorvendo 94,7% das exportações, com Espanha a destacar-se como principal cliente, com 56,8%.

Nas importações, Portugal permaneceu como o maior fornecedor de Cabo Verde, concentrando 72% do total, seguido de Espanha, Nigéria e Kuwait. A Europa foi a principal região de origem dos bens importados, com uma participação de 82,5%.

Por categorias económicas, os bens de capital registaram uma subida de 1.111,4%, passando a representar 68,4% das importações. Os combustíveis cresceram 77,6% e os bens de consumo 8,9%, enquanto os bens intermédios registaram uma ligeira redução de 0,4%.

Os dados constam das Estatísticas do Comércio Externo do INE, que acompanham a evolução das transações de bens entre Cabo Verde e os mercados internacionais.

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