Demitido PM da Guiné-Bissau refuta acusações de uso de dinheiro do Estado para financiar estudos dos filhos em França

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Aristides Gomes assegurou ao OPAÍS.cv nunca usar recursos do Estado Bissau-guineense em benefício seu e de sua família, e defende-se dizendo estar a ser vítima de “campanhas de má fé” promovidas, diz ele, pelos “autores morais” do Golpe de Estado, em Bissau

É a reação do político Bissau-guineense, que foi Primeiro-Ministro, entre abril de 2018 e fevereiro deste ano, data em que foi demitido pelo atual Presidente da República, Umaru Sissoco Embaló.

Apesar de se encontrar “refugiado”, desde há cerca de 4 meses, Aristides Gomes reagiu para OPAÍS.cv, acerca da notícia veiculada no último sábado, na qual há uma acusação contra ele, de usar dinheiro do Estado da Guiné-Bissau para financiar os estudos de 5 filhos, em França.

Na sua defesa, fala em “campanhas de má fé” contra a sua pessoa, segundo ele promovidas pelos “autores morais” do Golpe de Estado, em Bissau.

“Mais uma vez o Braima Camara e o regime golpista voltam a atacar a minha pessoa. Desta vez, e infelizmente para eles, com operações doentias semelhantes a uma baleia que acaba por dar à luz de um ‘rato esquema’. O Coordenador do MADEM G-15 ataca, outra vez, na base de tanto ódio, que não se deu ao cuidado de agir com a clarividência necessária, para compreender alguns conceitos”, começou por escrever, na missiva enviada à nossa Redação.

Em 10 pontos, Aristides Gomes refuta as acusações contra a sua pessoa. Diz que como PM “não poderia” ter ordenado uma despesa, “mesmo que ela fosse legal”, através do seu Diretor de Gabinete. “As minhas ordens nessa perspetiva são dadas, diretamente, ao Ministro das Finanças”, esclareceu, admitindo que se “quisesse fazer algo de ilegal, neste caso roubar… não iria fazê-lo por uma carta, a ser despachada pelo Secretário de Estado e deixá-la nos arquivos”.

Conforme escreveu, “caso pretendesse roubar” o Estado Bissau-guineense ele “não teria” solicitado uma autorização a um seu subordinado.

“Na minha qualidade de PM não queria enviar a minha remessa por via informal. Sendo que se trata do meu dinheiro, não podia cair no mesmo erro de certos titulares de cargos políticos, violando as regras bancárias de transação. Sabe-se, aliás que algumas personalidades com responsabilidades enviam dinheiro sujo, por via ilegal, para bancos estrangeiros, sendo por isso alvo de investigação no estrangeiro, nomeadamente, em Portugal”, esclareceu, fazendo saber que a transferência de valores para França foi feita a partir de uma sua conta pessoal.

“Fi-lo, como sempre faço, de forma legal, obedecendo às regras instituídas pelo BCEAO e pela UEMOA, esta última, organização para a qual, em tempo devido e na qualidade do então Ministro da Economia e Plano, ajudei o meu País aderir. Assim sendo, não teria sido de bom tom eu estar a violar as respetivas regras”, escreveu.

Na sua resposta, Aristides Gomes, aconselha o Braima Camara “um candidato ao posto de PM” a “informar-se junto dos economistas e juristas” (…) relativo à compra e transferência de divisas. “Foi simplesmente o que fiz, pedindo autorização para transferir o meu dinheiro limpo para um País, a França, onde circula uma outra divisa que não é o franco CFA. É assim que se faz na gestão bancária e financeira clássicas”, advertiu, assegurando não ter sido descoberto “nada de anormal, contrariamente ao que os golpistas têm propalado”, garantindo que o dossiê relativo à transferência para França “estava devidamente arquivado no Ministério das Finanças e no ORABANK, podendo ser consultado a qualquer momento”.

“Não é por acaso que fiz as minhas transferências por essa via legal, com registos no BCEAO. Tenho e terei sempre a preocupação ou obrigação de participar na construção de um Estado digno e respeitável, no qual imperem as Leis e Regras”, instando, de seguida, Braima Camará, “a ler as últimas recomendações” do FMI sobre o sistema financeiro da Guiné-Bissau. “Uma diretiva em que se recomenda a luta contra o branqueamento e o dinheiro sujo. Eu já fiz a minha parte, dando este exemplo”, assegura.

No último ponto da sua nota, Aristides Gomes deixa um “desafio” e garante que “nunca enviarei dinheiro sujo para estrangeiro em voos, uma vez que, na minha ótica, o dinheiro limpo deve, sistematicamente, passar pelos bancos para serem submetidos a rastreio e obterem o label de transparência. É este o meu modus faciendi, enquanto personalidade que tem desempenhado em diversas ocasiões funções de responsabilidade na Guiné-Bissau e tendo, por isso, a obrigação nobre de ajudar os concidadãos a compenetrar-se do sentido de Estado e da cidadania”.

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2 COMENTÁRIOS

  1. Este senhor Aristides Gomes fez o que lhe competia, “convidando” a quem quiser verificar a veracidade das suas palavras a consultar os “arquivos” da Orabank mas sei que preferem ficar a especular para “justificar o golpe de estado”. Só mesmo na Guiné Bissau. Favor publicar pois não ofendi ninguém.

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