(Des)emprego: a primeira luta

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Temos de ter o conhecimento da caminhada efectuada para podermos projectar o futuro. 2020 vai ser duro, mas tudo temos de fazer para rapidamente voltarmos à performance de 2019 – o melhor dos últimos 9 anos.

O ano passado foi excepcional em matéria de emprego, sobretudo o emprego jovem, o que evidencia que toda a política implementada para impactar a juventude teve resultado de tal forma que vimos todos os indicadores do emprego jovem a melhorar, relativamente a 2018: a taxa de actividade aumentou, passando de 55,6% para 57,4% com impacto directo na população inactiva, que reduz em 2,862 jovens.; a taxa de emprego aumenta de 48,8% para 50,9%, chegando a 206.344 pessoas empregadas; a taxa de desemprego, que é onde incide o foco maior, reduziu dos 12,2%, de 2018, para 11,3%, o valor mais baixo dos últimos 9 anos.

O PAICV tem passado a mensagem de que a política dos estágios profissionais estava a contribuir para precarizar o trabalho, com a substituição de postos de trabalhos em estágios profissionais, mas estes dados detonam toda está narrativa e demonstra que, muito pelo contrário, os estágios profissionais estão sim a atingir a população desempregada bem como os inactivos e têm criado oportunidades de emprego.

Por último, não podemos terminar esta abordagem sem referir os “nem nem” – jovens de 15 aos 35 anos sem emprego, fora do sistema de ensino e que não estão enquadrados em nenhum programa de formação profissional -, um problema estrutural em Cabo Verde, que em 2018 contabilizávamos 64.424 e em 2019 este número foi reduzido em 6.919 jovens, uma diminuição de 10,7%. São mais 6.919 que foram retirados da inactividade e incluídos na dinâmica económica e social.

É importante termos a noção de onde estes resultados são construídos e qual o impacto que os 3 maus anos agrícolas têm sobre estes dados. Como era expectável, o sector primário destruiu postos de trabalhos, pelo que foi necessária uma performance dos outros sectores para poderem criar uma almofada para absorver o impacto negativo da falta de chuva e abrir espaço para, ainda, crescermos. O Sector terciário é onde está o nosso motor de maior potência, com um crescimento de 1,4 p.p., passando para um peso relativo de 67,5%, onde se destacam o Alojamento e a Restauração, com um crescimento de 1,3 p.p., e o Transporte e Armazenagem com crescimento de 0,3 p.p.

Não restam dúvidas de que perante um ambiente de extrema adversidade estes resultados só podem ser catalogados de extraordinários e, agora, perante a crise do Covid-19, devem nos servir de referência para a nossa retoma.