A recente divulgação dos dados do Instituto Nacional de Estatística, INE, que revelam uma redução da taxa de desemprego em Cabo Verde para 8% em 2024, merece ser analisada com seriedade, rigor e, acima de tudo, com respeito pela evidência empírica. Trata-se da menor taxa registada nos últimos anos, acompanhada por um crescimento da população empregada (mais 4,4%) e da taxa de atividade (mais 0,5 pontos percentuais).
Estes dados não são apenas estatísticos, são reflexo da dinâmica real do mercado de trabalho, com impacto direto na vida das pessoas.
Apesar disso, um economista pseudo-intelectual, frequentemente associado a leituras enviesadas e a interesses oposicionistas, opta por enquadrar estes dados à luz de uma tese técnica, afirmando mais ou menos que “a dinâmica do desemprego em qualquer economia não é determinada por fatores do lado da oferta, como políticas de emprego, de formação ou de estágio, mas sim por fatores do lado da procura de mão-de-obra”.
A afirmação é correta no plano da teoria económica clássica. Mas a forma como o “teórico de conviniência” o utiliza acaba por desvalorizar, de forma subtil, os progressos registados no País.
É importante reconhecer que políticas de formação, estágios, programas de incentivo ao emprego jovem e investimento público não são, por si sós, suficientes para resolver estruturalmente o problema do desemprego. Mas ignorar ou tentar desvalorizar o seu papel complementar na ativação do mercado de trabalho e na melhoria da empregabilidade é uma leitura parcial.
Numa economia de pequena escala, como a Cabo-verdiana, o lado da oferta — se bem estruturado — pode ter efeitos relevantes e imediatos, especialmente quando conjugado com um ciclo de crescimento económico.
Além disso, o próprio argumento técnico de que o desemprego depende apenas da procura ignora a evolução observável no período recente: crescimento do turismo, retoma do investimento privado, projetos de obras públicas, dinamização do setor da economia digital e uma melhoria geral do ambiente macroeconómico. Tudo isso contribui para aumentar a procura por mão-de-obra — e é isso que os dados do INE refletem.
É legítimo e até desejável que se mantenha um espírito crítico sobre a sustentabilidade destes indicadores. No entanto, é igualmente necessário evitar transformar o comentário técnico numa narrativa política travestida de neutralidade académica. Quando o País apresenta resultados positivos, é dever de todos — especialistas (ou supostos), analistas e cidadãos — valorizar os sinais de progresso, mesmo que se mantenha vigilância quanto aos desafios futuros.
Minimizar os dados do INE com argumentos abstratos pode parecer elegante do ponto de vista académico, mas afasta-se da realidade concreta vivida pelos milhares de Cabo-verdianos que hoje têm um posto de trabalho e não o tinham ontem.
Cabo Verde ainda enfrenta desafios no mercado de trabalho, como a subutilização da força de trabalho, o emprego informal e o desemprego jovem. Mas negar os avanços só porque não se ajustam a determinadas narrativas ideológicas é um desserviço ao debate público.



Quando precisar de um eletricista / canalizador / mestre de obras / técnico do frio / etc. para uma reparação urgente e bem feita na sua casa ou na sua empresa, não esqueça da teoria clássica sobre o papel da procura respeito a disponibilidade de mão de obra qualificada.
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