Audiência à porta fechada está a decorrer no tribunal da Praia
A detenção do médico Odair Antunes de Carvalho, presidente do Conselho de Administração do Hospital Universitário Agostinho Neto (HUAN), no âmbito da operação “Shark”, está a provocar forte repercussão pública em Cabo Verde, suscitando surpresa, preocupação e questionamentos sobre a eventual infiltração de redes de criminalidade organizada em instituições do Estado.
Desencadeada pela Polícia Judiciária na terça-feira, 3 de novembro, em vários bairros da cidade da Praia, a operação terá resultado na detenção de pelo menos 20 pessoas, entre as quais o responsável do maior hospital do país, quatro agentes da Polícia Nacional, cinco guardas prisionais e outros cidadãos, incluindo funcionários ou ex-funcionários da companhia aérea TACV.
A dimensão do processo e o perfil de alguns dos detidos têm alimentado o debate público, sobretudo pela alegada ligação de pessoas associadas a setores estratégicos do Estado a uma investigação por suspeitas de tráfico de droga, burlas e outros ilícitos.
A situação envolvendo Odair Antunes de Carvalho assume particular destaque, tendo em conta as responsabilidades inerentes à presidência do Conselho de Administração do principal hospital do país. Segundo informações recolhidas pelo OPAÍS.cv, os factos sob investigação relacionados com o médico serão anteriores à sua nomeação para o cargo.
Entretanto, os detidos começaram a ser ouvidos esta tarde pelo tribunal, no Platô, na cidade da Praia, sob fortes medidas de segurança à chegada às instalações judiciais. As audições acontecem depois de não ter sido possível realizar os interrogatórios durante o período da manhã. Após este primeiro interrogatório judicial, deve ser conhecida as medidas de coação.
O caso está a gerar uma onda de interrogações sobre a dimensão das alegadas ligações entre estruturas criminosas e agentes de instituições públicas, num processo que poderá trazer novos desenvolvimentos nos próximos momentos.
O OPAÍS.cv continuará a acompanhar os desenvolvimentos da operação “Shark”, embora os jornalistas tenham sido impedidos de aceder à sala de audiências.





