Discutir a essência do país, não criar uma narrativa de caos

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O que parece evidente no discurso do novo PAICV e de alguns dos seus aliados é uma estratégia política antiga: evitar discutir a essência dos problemas e das soluções do país e concentrar-se apenas em casos isolados, episódios e pequenos incidentes — aquilo que, na linguagem popular, se diria “casos e casinhos” — tentando criar a impressão de que Cabo Verde vive numa situação de caos e desgraça.

Mas a política séria não se faz assim.

A política responsável discute propostas, resultados e factos.

Quando olhamos para os factos, a realidade é muito mais complexa — e muito mais positiva — do que a narrativa de catástrofe que alguns tentam vender.

Nos últimos anos, Cabo Verde enfrentou algumas das maiores crises internacionais das últimas décadas:

  • a pandemia da COVID-19,
  • as consequências económicas da guerra na Europa,
  • o aumento global da inflação e da energia,
  • as perturbações nas cadeias internacionais de abastecimento.

Apesar disso, o país conseguiu manter estabilidade política, institucional e económica, algo que muitas nações com muito mais recursos não conseguiram fazer.

Não por acaso, várias organizações internacionais continuam a reconhecer o desempenho institucional de Cabo Verde.

Segundo o World Economics Governance Index 2026, Cabo Verde entrou no Top 30 mundial em índices de governação, ocupando a 29.ª posição entre os países do mundo, com classificação “A”, sendo inclusive o único país africano com essa classificação.

Este ranking avalia precisamente aquilo que muitos preferem ignorar:

  • qualidade das instituições,
  • respeito pelo Estado de Direito,
  • estabilidade política,
  • direitos políticos e liberdade de imprensa.

Outros indicadores internacionais confirmam a mesma tendência.

Cabo Verde continua a ser classificado como uma democracia estável e livre, com eleições competitivas e alternância de poder reconhecida internacionalmente.

Também em matéria de transparência e perceção de corrupção, o país apresenta resultados relativamente sólidos, estando entre os países menos corruptos do mundo e o melhor classificado da CPLP.

Estes dados não são propaganda de nenhum partido.

São avaliações feitas por instituições internacionais independentes.

Isso não significa que tudo esteja perfeito.

Nenhum país é perfeito.

Há problemas sérios a resolver — na justiça, na economia, no custo de vida e em vários setores sociais.

Mas uma coisa é reconhecer problemas.

Outra coisa completamente diferente é tentar negar os progressos do país e pintar um quadro artificial de desastre permanente.

Quando um partido político prefere alimentar essa narrativa em vez de apresentar propostas concretas para a economia, para o emprego, para a justiça ou para a energia, então deixa de fazer oposição responsável e passa a fazer apenas oposição de ruído.

Cabo Verde precisa de debate político sério.

Precisa de confronto de ideias.

Precisa de alternativas credíveis.

Mas aquilo que o país não precisa é de uma política baseada apenas na tentativa de convencer o povo de que tudo está mal, mesmo quando os indicadores internacionais mostram exatamente o contrário.

A política deve discutir o essencial: como melhorar o país, e não apenas como fabricar uma sensação de crise.