É uma escola ideológica, que persiste nos tempos. JMN só elogia Cabo Verde, quando o PAICV é poder em Cabo Verde. Pois, JMN é vítima do processo histórico da sua formação politica. JMN recebeu a doutrina que Cabo Verde não é bem dos Cabo-verdianos, ele foi levado a ver Cabo Verde com lentes de uma razão ideológica dos “libertadores”! É por isso que dizem: “Amílcar Cabral é fundador da nossa nacionalidade!”! E não é só JMN que pensa dessa forma. É uma cultura politica que veio do mato da Guiné-Bissau e que foi transportada para o sistema que ergueram em Cabo Verde.
E com este talibanismo, ainda presente na ideologia do JMN, duvido se lhe resta tempo para uma reciclagem completa do seu pensamento politico.
Alguns pensarão que estou a proclamar uma trivialidade minha, do Maika Lobo, mas essa cultura histórica do JMN levou-o a construir uma espécie de carga de ódio ao MPD. Para eles, a escola deles, o MPD como que veio a romper com a trajetória e as causas dos “libertadores”. Que é a visão genuína e original dos “donos desta Nação”! E é também por isso que eles não prestam qualquer atenção aos combatentes que lutaram em Cabo Verde, mas que não vieram das matas da Guiné-Bissau!
Convivi de perto com esta figura política – que é o JMN, segui a sua trajetória politica e sei do que estou a falar. Ele ainda tem buracos negros no seu pensamento politico. E não foi só isso, existem sinais objectivos e factos que podem demonstrar essa segura evidência.
Apenas alguns outros exemplos marcantes: lembram-se quando ele não foi eleito deputado para Santa Catarina, nas eleições de 13 de Janeiro de 1991, as palavras que ele dirigiu aos jovens desse Concelho?
“Vocês são uns drogados e burros das ladeiras”!
Só porque os jovens de Santa Catarina não votaram nele e impediu-lhe, assim, de ser deputado nas primeiras eleições livres realizadas de Cabo Verde! E isso provocou profundas mágoas no sentimento do JMN.
Lembram-se quando em 2006, no dia das eleições legislativas, em que JMN convocou todos os órgãos de comunicação social, e proferiu para todo mundo ouvir:
“tenho provas de que nestas eleições de hoje o MPD foi financiado pelos traficantes de drogas internacionais, para comprar votos…e ganhar as eleições!”!
Entretanto, o Paicv venceu aquelas eleições com 52,30 % de votos, contra 44,02 % do MPD. E nunca se abriu um processo crime contra o JMN e o assunto caiu, como sempre, no esquecimento da justiça e da história.
E hoje isso tudo está muito mais claro e demonstrado por factos. Claro e demonstrado no uso da presidência da República, como o epicentro e o foco principal da oposição ao governo de UCS, ao governo do MPD. É uma oposição fortíssima e que chega a ser quase um governo paralelo de oposição, que faz declarações públicas e promove realizações, que faz política externa, conferências e negociações, como se fosse ele o governo eleito pelos Cabo-verdianos no dia 18 de Abril de 2021! Hoje toda essa realidade, que comecei a denunciar quase sozinho, é cristalina!
Contudo, no caso do JMN, nada nasceu por mero acaso.
Essa mentalidade dele é fruto da cultura política que lhe foi impregnada ao longo dos tempos, e foi, de facto, uma idolatria marcante e fortíssima a qual marcou e de que maneira a sua personalidade politica. E essa cultura politica, que não é exclusivo dele, foi moldada ao longo dos tempos como uma espécie de religião, de profissão de fé, mas com as mesmas técnicas do velho comunismo europeu, hoje em profunda decadência.
JMN viveu a ditadura por dentro e foi parte dela, e foi crescendo através das suas diversas escolas do tempo dos pioneiros, OPAD-CV, da JAAC-CV, da cultura dos Tribunais Populares, das Milícias Populares, da Polícia Política, do Paigc, do Paicv e do Estado com o único partido!
Até à presente data, a pessoa não conseguiu libertar-se dessa terrível intoxicação e hoje, ainda que de forma latente, entretanto, é obrigado a conviver com um sistema de liberdade, da democracia, contra as quais a sua cultura histórica briga numa luta permanente. No fundo, a liberdade e democracia para o JMN não são valores genuínos e assumidos sem reservas. E muito menos o princípio constitucional de separação de poderes.
Sabe-se que ele foi contra a abertura política do regime de partido único, na reunião do Conselho Nacional do Paicv, realizado em 1989. Isto foi dito por Aristides Pereira, antes de morrer.
E essa personalidade bicéfala da cultura política do JMN, embora latente, passado e presente em conflito, parece-me que permanecerá nele até à sepultura. E ele demonstra isso a cada momento. E nem se repara no ridículo das suas declarações.
Por exemplo, em relação à sua recente declaração sobre a dívida de Cabo Verde à CEDEAO. Que não é uma matéria fulcral da governação…! JMN demonstrou ser um descarado político. No total Cabo Verde acumulou uma dívida à CEDEAO no valor de mais de 30 milhões de dólares. Mais de 70% desse valor respeita-se aos atrasos de pagamentos dos governos do JMN e do Paicv. Em 2015, JMN deixara uma dívida à CEDEAO no valor de 17 milhões de dólares. E tem agora o descaramento de acusar o Governo do MPD sobre esse atraso no pagamento dessa dívida?
JMN enfrenta hoje vários problemas pessoais e políticos. O salário 310 que deu à companheira, deu cabo dele! Também muitos dirigentes do Paicv não estão a curtir a crispação que ele anda a provocar a Cabo Verde. E em consequência de tudo isso, dos escândalos e da sua postura atual, e das divergências internas que ele tem no Paicv, ele sofreu um recuo na sua imagem pública. Os dados apontam para uma perda de 8.714 votos em relação aos resultados de últimas eleições presidenciais de 2021. E isso está a preocupar JMN e de que maneira. E como essa perda vem essencialmente do eleitorado do Paicv, ele foi aconselhado a tentar promover um discurso de polarização e mais radical contra o governo e o MPD, com o objetivo de procurar puxar o eleitorado perdido. Contudo, essa estratégia é perigosa e também pode provocar a radicalização dos democratas contra ele, sabendo que 16 mil eleitores que votaram no Mpd nas legislativas, não foram votar nas eleições presidenciais de 2021.


