O apuramento de Cabo Verde para os 16 avos-de-final da Copa do Mundo, conseguido ontem frente da Arábia Saudita, domina as manchetes da imprensa internacional, que descreve a campanha dos Tubarões Azuis como uma das maiores histórias da competição
De agências globais como a Reuters a jornais da Ásia, Médio Oriente e América do Norte, o consenso é claro: os Tubarões Azuis deixaram de ser apenas a surpresa do torneio para se afirmar como uma equipa que conquistou, por mérito, um lugar entre as melhores.
A Reuters, cuja cobertura foi reproduzida em dezenas de meios de comunicação, define a campanha cabo-verdiana como um verdadeiro “fairytale run” (“trajeto de conto de fadas”), destacando que um país com cerca de meio milhão de habitantes alcançou a fase a eliminar na sua estreia em Campeonatos do Mundo. A agência sublinha que a qualificação simboliza o espírito inclusivo do torneio e cita o selecionador Bubista: “O futebol pertence a todos, não apenas aos países mais ricos”.
Um dos aspetos mais repetidos pela imprensa é a dimensão histórica do feito. Vários órgãos assinalam que Cabo Verde se tornou o país menos populoso de sempre a atingir a fase a eliminar de um Campeonato do Mundo masculino, ultrapassando marcas anteriores e reforçando o carácter excecional da campanha.
Outro tema dominante é a mudança de narrativa. Se, antes do torneio, Cabo Verde era visto como uma curiosidade ou uma das “Cinderelas” do Mundial, a imprensa considera agora que a equipa justificou plenamente o apuramento. Os elogios centram-se na organização defensiva, na disciplina tática imposta por Bubista, na capacidade de competir frente a adversários de maior estatuto e na personalidade demonstrada contra Espanha, Uruguai e Arábia Saudita.
Também os protagonistas cabo-verdianos ganharam destaque. O médio Deroy Duarte, eleito homem do jogo frente à Arábia Saudita, foi amplamente citado após afirmar que “Anything is possible” (“Tudo é possível”), frase que acabou por resumir a campanha da seleção e que foi recuperada em inúmeros títulos internacionais. O guarda-redes Vozinha surge igualmente apontado como um dos símbolos da resistência defensiva dos Tubarões Azuis.
A imprensa internacional olha agora para o duelo com a Argentina como um dos confrontos mais intrigantes dos 16 avos-de-final, no próximo dia 3 de julho. Embora reconheça o favoritismo dos campeões do mundo, vários comentários destacam que Cabo Verde já ultrapassou todas as expectativas e chega ao encontro sem pressão, alimentando a esperança de prolongar aquela que muitos já classificam como a grande história do Mundial 2026.


