Cardeal reafirma compromisso com a democracia, no dia dos 50 anos da independência nacional
No dia em que Cabo Verde celebra os 50 anos da independência nacional, o Bispo de Santiago e único Cardeal Cabo-verdiano, Dom Arlindo Furtado, afirmou de forma clara que “a Igreja nunca defende o partido único”.
À entrada para a sessão solene no Parlamento, na manhã de hoje para assinalar a data, Dom Arlindo recordou o papel da Igreja Católica no processo de abertura política do País, em 1991, salientando que foi necessário intervir para ajudar os Cabo-verdianos a “libertar-se” das amarras do partido único.
O Cardeal reconhece que, naquela altura, existia uma “forte tensão interior” entre a Igreja e o regime de partido único, e que a continuidade desse confronto poderia ter consequências negativas para o País:
“Interiormente, a Igreja é forte, o partido também. A política traz muita paixão”, observa o Bispo, observando que o embate direto e o confronto com o então regime “poderiam trazer dissabores muito grandes” para Cabo Verde, tanto a nível interno como externo.
Dom Arlindo sublinhou que, com o tempo, a população ganhou maior consciência política, o que permitiu à Igreja retirar-se gradualmente da intervenção política direta, a partir de 1996, confiando aos cidadãos e às organizações civis o protagonismo no processo democrático.
“A Igreja é mãe e mestra”, pontua Dom Arlindo, assumindo que a Igreja “educa e orienta para que cada um assuma as suas responsabilidades no quadro do multipartidarismo. A Igreja nunca defende o partido único”, reforçou.


