Dom Arlindo Furtado destaca percurso e consolidação da Igreja durante seu ministério episcopal

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Dom Arlindo Furtado despede-se da liderança da Diocese de Santiago após 17 anos, dando lugar à entrada de Dom Teodoro Tavares

O Bispo emérito da Diocese de Santiago concedeu esta manhã uma entrevista à RCV, no programa Café Central, onde abordou diversos temas da atualidade nacional, com destaque para a política, a Igreja Católica e os desafios sociais do País.

Durante o programa da Rádio Pública, Dom Arlindo Furtado comentou o contexto das eleições de 17 de maio, apelando a um ambiente de maior responsabilidade e respeito no debate político, incluindo nas redes sociais, onde apontou sinais de agressividade que, na sua opinião, devem ser evitados.

O prelado considerou ainda que as questões de política e governação devem ser vistas numa lógica de complementaridade, sublinhando a necessidade de maturidade institucional e cívica por parte dos atores políticos.

Apesar de admitir o impacto da concorrência de outras confissões religiosas, Dom Arlindo destacou o fortalecimento da Igreja Católica em Cabo Verde desde a independência, afirmando que a instituição tem vindo a consolidar a sua presença no País.

O Bispo emérito comentou também a visita do Papa a países Africanos, sublinhando a importância desse gesto para o Continente, e manifestou a sua esperança de uma futura visita do Sumo Pontífice a Cabo Verde.

Dom Arlindo Furtado destacou ainda a chegada do novo Bispo da Diocese de Santiago, Dom Teodoro Tavares, cuja posse está marcada para 2 e 3 de maio, em dois momentos distintos na Cidade da Praia, desejando-lhe sucesso no início da missão pastoral.

Agora como Bispo emérito, após liderar a Diocese durante 17 anos, fez um balanço positivo do seu percurso, afirmando que a Igreja em Cabo Verde se encontra fortalecida e em crescimento.

O prelado recordou ainda que já havia apresentado a sua renúncia no ano passado, conforme as normas da Igreja Católica, que estabelecem a saída dos bispos entre os 70 e os 75 anos de idade, e afirmou manter o foco nas celebrações dos 500 anos da Diocese de Santiago, a mais antiga estrutura da Igreja em África.

Relativamente ao futuro, revelou que irá residir no seminário, recusando permanecer no bispado, apesar do convite do sucessor, por considerar importante garantir liberdade total ao novo bispo no exercício das suas funções.

Dom Arlindo Furtado manifestou gratidão pelo percurso realizado e confiança no futuro da Igreja em Cabo Verde, sublinhando a importância da continuidade do trabalho pastoral e da comunhão eclesial.