Ex-Presidente da Comissão Europeia Durão Barros condenou esta terça-feira, 18, a suspensão anunciada ontem pela Rússia, do acordo dos cereais, alertando que o preço a pagar pelos mais vulneráveis “é gravíssimo” e esperando que Moscovo reverta a sua posição
Falando à margem do 6.º Eurafrican Fórum, ao qual preside, e que hoje começou na Nova SBE, em Carcavelos, Cascais, Durão Barroso disse que a decisão de Moscovo “é absolutamente condenável”, depois de Moscovo ter abandonado a Iniciativa dos Cereais do Mar Negro, assumida pela Rússia, Ucrânia, Turquia e Nações Unidas, alegando que as suas exigências não foram atendidas.
“Estar a fazer países Africanos e não só Africanos, países em vias de desenvolvimento, pagar um preço muito elevado por um problema que não foram eles que criaram, é gravíssimo”, declarou o ex-líder da Comissão Europeia, entrevistado pela Agência Lusa.
Durão Barroso manifestou o desejo de que a suspensão do acordo, que permitia a exportação de cereais Ucranianos através do Mar Negro, em plena ofensiva Russa na Ucrânia, venha a ser revertida, uma possibilidade que o Kremlin mantém em aberto caso as suas condições sejam aceites.
“Sei que está a ver uma grande pressão de alguns países, não apenas dos países ocidentais”, comentou, pedindo que “se oiça a voz dos países mais afetados, porque – é aquela velha expressão em várias línguas -, quando há um problema grande entre os grandes, quem sofre são os mais pequenos”.
O líder Europeu mencionou o caso dos países Africanos, “que não têm nada a ver com esta guerra ou não estão diretamente implicados” e que “são os que sofrem as consequências desta maneira brutal”.
Durão Barroso recordou que a iniciativa da guerra partiu de Moscovo e que as consequências do conflito decorrem da “ação ilegal que foi a invasão da Ucrânia pela Rússia”, em que “há agressor e um agredido” e é isto que, destacou, importa explicar, porque “às vezes pode haver tendência no chamado ‘sul global’ de pôr a responsabilidade toda nos Europeus ou na Europa”.
“A responsabilidade é de quem lançou esta guerra e esta agressão”, sentenciou.


