A liberdade de imprensa, conquista civilizacional inquestionável, não é nem nunca foi uma licença para escapar às regras elementares da responsabilidade e da ética profissional. A liberdade termina onde começa o dever.
Nos últimos dias, fala-se muito, escreve-se mais ainda e lê-se quase nada.
Formam-se juízos sem se conhecer os factos e transforma-se um processo disciplinar, matéria de gestão e deontologia, em bandeira ideológica. É o velho vício de substituir a análise pela narrativa e o conteúdo pelo ruído.
Curioso é notar que a mesma figura que em tempos puniu severamente um trabalhador e o deixou sem salário por um mês, hoje se apresenta como símbolo de liberdade. E mais curioso ainda é ver quem então se calou, agora em nome do cargo que ocupa, demonstrar súbita inquietação.
O tempo é mestre em ironias, o poder muda, os papéis invertem-se e a coerência continua em extinção.
O que está em causa não é a imprensa, é a consistência moral.
Não é o direito de informar, é o dever de respeitar regras e hierarquias.
Quando a disciplina é confundida com censura, o que se quer não é liberdade, é privilégio.


