Epidemia já provocou 2.325 mortes e 4.945 casos confirmados, tornando-se a segunda mais letal de sempre no mundo
A epidemia de Ebola na RD do Congo (RDC) atingiu uma dimensão sem precedentes no país, com 2.325 mortes e 4.945 casos confirmados até 16 de agosto, ultrapassando o balanço do surto de 2018–2020, que matou 2.299 pessoas.
O atual surto, declarado em maio, é provocado pela variante Bundibugyo, para a qual não existe, até ao momento, vacina ou tratamento específico aprovado. A doença já se espalhou por seis províncias, com a província de Ituri a concentrar a maioria dos casos e mortes.
Com este balanço, a epidemia tornou-se a segunda mais mortal de Ebola já registada no mundo, atrás apenas da grande epidemia que atingiu a África Ocidental entre 2014 e 2016. A Organização Mundial da Saúde alerta para o risco de o atual surto continuar a crescer, num contexto marcado por conflitos armados, deslocações populacionais, dificuldades de acesso aos serviços de saúde e desinformação.
A situação preocupa particularmente as autoridades sanitárias internacionais devido à rapidez da propagação e à elevada taxa de mortalidade. A OMS e outros parceiros internacionais estão a reforçar a vigilância, o rastreio de contactos e a capacidade de tratamento, enquanto decorrem ensaios de vacinas e terapias experimentais dirigidas à variante Bundibugyo.
A dimensão da epidemia coloca novamente a África perante um grave desafio de saúde pública, aumentando a necessidade de vigilância epidemiológica e de cooperação internacional para impedir uma maior expansão do vírus para outros países.

