Ontem, Cabo Verde fez história dentro e fora das quatro linhas. No Estádio Nacional, perante um mar azul de emoção e esperança, os Tubarões Azuis garantiram pela primeira vez o apuramento para o Mundial de Futebol, um sonho acalentado por gerações. Mas o verdadeiro golo de ouro do dia foi outro: o comportamento cívico e exemplar do público que lotou o Estádio.
Durante dias pairou um receio legítimo, o medo de que a euforia pudesse repetir o episódio da invasão de campo no jogo anterior, que colocou o País sob risco de duras penalizações da FIFA, inclusive a perda de pontos que poderiam custar o apuramento. Esse medo foi superado por algo maior: a maturidade coletiva de um povo que soube vibrar com orgulho, mas também com responsabilidade e civismo.
Ontem o Estádio Nacional foi palco de um espetáculo de civismo. Milhares de adeptos gritaram, choraram, cantaram e celebraram, mas sem ultrapassar os limites do respeito e da ordem. A alegria foi vivida com disciplina, o entusiasmo com consciência, o patriotismo com decoro. E é essa demonstração de maturidade que faz de Cabo Verde, mais do que um País apurado para o Mundial, uma Nação em crescimento cívico e cultural.
O comportamento do público Cabo-verdiano neste dia especial ficará registado como um exemplo para o desporto Africano e mundial. Paixão sim, descontrolo não! Festa sim, mas dentro das regras! Porque o verdadeiro amor à Pátria é aquele que sabe celebrar sem comprometer o que foi conquistado com tanto esforço.
Cabo Verde está no Mundial, e está também de parabéns pelo civismo que o mundo viu.
Hoje, mais do que nunca, somos todos Tubarões Azuis.


