O dia 24 de março de 2026 ficará inscrito, com letras grandes, na história da saúde em Cabo Verde. A realização, com sucesso, do primeiro transplante renal no Hospital Universitário Agostinho Neto, na Cidade da Praia, é mais do que um marco médico: é a prova inequívoca de que o nosso País está a dar passos firmes rumo à autonomia e à excelência nos cuidados de saúde. Parabéns, Cabo Verde!
Durante anos, a insuficiência renal significou, para muitos pacientes Cabo-verdianos, uma vida limitada à hemodiálise ou marcada pela incerteza das evacuações médicas para o exterior. Ontem, porém, abriu-se uma nova página, uma página escrita com ciência, coragem e, acima de tudo, com visão estratégica.
Este feito notável não pode ser dissociado da cooperação exemplar entre Cabo Verde e Portugal. A parceria com equipas médicas Portuguesas demonstra como a solidariedade entre nações pode produzir resultados concretos e transformadores. Mais do que uma intervenção cirúrgica bem-sucedida, este transplante representa transferência de conhecimento, capacitação técnica e esperança renovada para o nosso País.
É igualmente justo destacar, com particular reconhecimento, a liderança do médico António Norton de Matos que, aos 77 anos, esteve na linha da frente deste processo histórico. A sua dedicação, experiência e compromisso com a medicina são inspiradores e simbolizam o mais elevado espírito de missão ao serviço da vida humana.
Mas este é, sobretudo, um triunfo coletivo. Dos médicos Cabo-verdianos aos enfermeiros, técnicos, gestores hospitalares e ao próprio Governo, todos, cada um à sua dimensão, contribuíram para que este momento se tornasse possível. O sistema nacional de saúde demonstrou capacidade, resiliência e ambição.
Com este feito, Cabo Verde está de parabéns. Este primeiro transplante renal não representa um ponto de chegada, mas o início de um caminho que deve ser consolidado com investimento, formação contínua e confiança nas competências nacionais. Porque quando um País consegue salvar vidas com os seus próprios meios, conquista muito mais do que capacidade técnica: conquista dignidade, esperança e futuro.


