EDITORIAL. Melhor tivesse ficado em silêncio

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Depois de um longo período de silêncio, o Senhor Presidente da República falou. Apelou aos políticos para respeitarem a Constituição da República e reiterou que Cabo Verde não vive uma crise institucional.

JMN sabe exatamente quem não está a respeitar a Constituição e quem está a atacar a Justiça: Francisco Carvalho, Presidente da Câmara Municipal da Praia e do PAICV. Ainda assim, prefere colocar todos os Partidos no mesmo saco, numa tentativa evidente de não desagradar ao Presidente do PAICV.

JMN acena com o perigo da judicialização da política

Com esse aceno, JMN transmite a seguinte mensagem: os vários processos e os indícios de crimes imputados a Francisco Carvalho seriam meras matérias de chicana política, não dignas de ação judicial.

Num momento em que os processos se encontram na fase de audição, ao levantar o espetro da judicialização da política, JMN coloca-se claramente do lado do condicionamento e da fragilização do sistema judicial. Não o fez de forma abstrata, porque sabe muito bem que esse discurso está diretamente ligado a um caso concreto, em que estão em causa indícios de falsificação de documentos, participação ilícita em negócio, defraudação de interesses públicos patrimoniais e corrupção ativa e passiva.

Até onde é preciso ir para que casos que indiciam crimes — e são vários — sejam considerados “dignos” de entrar na alçada da Justiça? O que acontece ao Estado de Direito Democrático se todos resolverem comportar-se da mesma forma, com impunidade — presidentes da República, deputados, governantes, presidentes de câmaras municipais, empresários ou simples cidadãos?

A tentativa de obstrução da Justiça, através do encerramento deliberado das instalações da Câmara Municipal da Praia para impedir buscas judiciais; a manifestação partidária com recurso a viaturas do Estado, incitando contra a Justiça; e as declarações de Francisco Carvalho acusando o Governo e o MpD de manipularem a PGR, configuram factos de gravidade extrema e inédita em Cabo Verde. Sobre estes acontecimentos, JMN foi lacónico e preferiu assobiar para o lado.

1 COMENTÁRIO

  1. Entretanto, o público leitor gostaria de saber onde para Francisco Carvalho. Fugiu da justiça? É provável que o Presidente só tenha decidido falar, depois que foi informado da presumível fuga de Francisco Carvalho. Precisamos saber.

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