Cabo Verde foi oficialmente elevado à categoria de País de Rendimento Médio-alto, segundo uma nova classificação do Banco Mundial. Um feito inédito na história do País, às vésperas do 50.º aniversário da independência nacional. Uma distinção que, para qualquer Nação, representa mais do que estatísticas, pois simboliza o reconhecimento de progresso, de estabilidade macroeconómica e de capacidade institucional.
O Governo, liderado por Ulisses Correia e Silva, celebrou, como era esperado, essa conquista. O Primeiro-Ministro falou ao País e ao mundo. Fez bem: é dever dos líderes políticos informar e mobilizar os cidadãos em torno das conquistas nacionais. Contudo, há uma ausência notória que paira no ambiente institucional. É que o Presidente da República mantém-se em silêncio. É estranho! É caso para dizer que este silêncio do PR face a tão grande assunto fala alto.
Na tradição política Cabo-verdiana, o Chefe de Estado, ainda que com funções limitadas constitucionalmente, assume-se como símbolo de unidade, como voz que acompanha os grandes momentos da Nação, como é este, pelo que não se entende esta opção de silêncio.
Num tempo em que as redes sociais amplificam tudo, inclusive o que não é dito, a ausência de uma palavra do Presidente da República pode ser lida como distanciamento, indiferença ou, pior ainda, desalinhamento ou desinteresse institucional.
Cabo Verde merece melhor. A República assim exige!
O Presidente da República não precisa aplaudir o Governo, mas deve saudar o povo e as conquistas nacionais. Deve reconhecer o mérito coletivo. Deve aparecer, porque, como já nos ensinou a democracia, o silêncio do Chefe de Estado também é uma mensagem. E essa mensagem, para já, fala alto demais com o seu profundo silêncio.


