Nos últimos tempos, as redes sociais têm sido palco de um espetáculo triste e degradante: um cidadão com evidentes fragilidades pessoais e sem qualquer credibilidade, transformado em arma de arremesso político contra adversários.
A cada transmissão ao vivo, o enredo repete-se — acusações sem fundamento, insinuações gratuitas, ataques pessoais. O que poderia ser apenas mais um excesso virtual ganha outra gravidade quando se mostra ser óbvio que não se trata de um ato isolado.
Por detrás da cortina, há quem puxe os fios. Há quem sopre “argumentos” e prepare “dossiês” para que o inimputável repita como um eco conveniente. E aqui está o ponto nevrálgico: este “teatro” não é fruto de espontaneidade, mas de cálculo político. Cálculo de quem, vergonhosamente, prefere esconder-se atrás de um mensageiro irresponsável e descartável para lançar lama sem se sujar.
Os seus aliados, covardemente, partilham, impulsionam e fazem chegar as transmissões a mais pessoas. O silêncio de alguns outros, neste caso, não é neutralidade — é cumplicidade.
Num país que deveria prezar pela ética e pela verdade no debate público, não se pode aceitar que a política se transforme numa arena onde se usam pessoas cadastradas como munição. É um jogo sujo, que diz mais sobre quem manipula do que sobre quem é manipulado.
Para quem quiser ver, a responsabilidade moral por cada palavra proferida pelo emissário é evidente.
A democracia não se constrói com truques de marioneta. Constrói-se com coragem, frontalidade e respeito pela dignidade humana. Quem não é capaz de enfrentar o adversário com argumentos próprios, claros e assumidos, e prefere esconder-se atrás de quem não pode responder pelos seus atos, revela muito sobre a sua visão de liderança — e nada disso é bom.


