O primeiro debate televisivo entre os candidatos à segunda volta das eleições presidenciais brasileiras, do próximo domingo, ficou marcado por ataques pessoais e poucas propostas concretas. Para analistas políticos ouvidos pela Agência Lusa, o principal perdedor do confronto do último domingo foi o eleitor indeciso
Realizado na TV Band, o debate evidenciou a forte polarização política no Brasil, a poucos dias da votação de domingo, 25 de outubro. Nenhum dos candidatos conseguiu impor uma vantagem decisiva, embora Flávio Bolsonaro tenha demonstrado, segundo os especialistas, maior descontração e eficácia comunicacional.
Lula da Silva destacou-se nas intervenções sobre saúde e pandemia, mas terá perdido eficácia ao responder às provocações do adversário.
O confronto foi dominado por acusações relacionadas com alegados casos de corrupção, incluindo o escândalo do Banco Master e suspeitas envolvendo familiares dos candidatos. Temas como segurança pública, economia, saúde e condições de trabalho também foram abordados, mas sem aprofundamento das propostas.
O analista político Melillo Dinis considerou que ambos os candidatos procuraram sobretudo mobilizar os respetivos apoiantes, deixando sem respostas os eleitores ainda indecisos.
Já Alexandre Bandeira, do Grupo Brasília de Consultoria Política, lamentou o excesso de ataques e a escassez de propostas, considerando que o debate se aproximou mais de um espetáculo de entretenimento do que de um verdadeiro confronto de ideias.
Com as sondagens a apontarem para um empate técnico e Flávio Bolsonaro a ter obtido mais 2,2 milhões de votos na primeira volta, a disputa permanece aberta.
Segundo os analistas, os cerca de 33 milhões de eleitores que não votaram na primeira volta poderão assumir um papel determinante no resultado do próximo domingo.





