ELOISA MORAIS: As instituições não têm noção do que é uma Miss

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Na primeira pessoa, Eloisa Morais, a cara da Capital Model, faz-nos um balanço da última edição do Miss Cabo Verde, realizado na ilha do Sal. Falta de apoios, sobretudo a nível nacional, incomoda a organização que pede colaborcola de todos para que Cabo Verde possa entrar na próxima edição da Miss Mundo

Sem rodeios, Eloisa Morais acusa da falta de uma visão para um setor que pode ajudar, ainda mais, a promover a imagem de Cabo Verde no Mundo. Adverte, no entanto, que Miss não é um simples desfile.

Na edição da ilha do Sal, realizado no último sábado, 1, poucas marcas nacionais associaram-se ao evento. A Câmara Municipal liderada por Júlio Lopes destaca-se, entretanto, pelo seu envolvimento no concurso e no prémio à vencedora.

OPAÍS – Qual é o balanço que a Capital Model faz do concurso Miss Cabo Verde 2018?

Eloisa Morais – O balanço é positivo. A Capital Model está há muito tempo nisso, temos experiência, tanto a nível nacional como internacional. Pode-se dizer que a Capital Model é muito respeitada pela organização Miss Mundo, Miss CEDEAO e Miss CPLP, tanto que na CEDEAO ‘obrigaram-me’ praticamente a ser Secretária-adjunta da Federação dos países membros da comunidade, que organizam Miss. E sinto orgulho de Cabo Verde estar a liderar a Miss CPLP e CEDEAO.

Meu objetivo, digo-lhe isso, em primeira mão, é chegar a Miss Mundo e a partir daí parou, e não farei mais misses, porque tem sido muito difícil e as pessoas que estão fora não sabem o que passamos.

Programar Miss não é fácil é o mesmo programa que se segue no Miss Mundo. É só ir à página do Miss Mundo para ver quais os programas que eles seguem. É desporto, cultura, principalmente aos participantes da Diáspora, e tentar mostrar tudo o que uma Miss deve ser porque não é só a beleza que conta. É isso que temos estado a fazer durante todos esses anos. Cabo Verde precisa entender qual é o objetivo de Miss, fora e dentro, porque há instituições que não respeitam a organização, achando que Miss é um simples desfile, o que não é verdade, porque é o nome de Cabo Verde que está em jogo.

Todas as misses que levamos para representar Cabo Verde fora têm dado bons resultados, por aquilo que nós somos e por aquilo que fazemos.

Então quer dizer que para organizar um evento do tipo é preciso união de todas as instituições..

Costumo dizer que as instituições, os sucessivos governos, empresas não têm noção. Aplaudem a imagem de Miss fora do País e às de Cabo Verde não dão valor, e isso é a minha maior preocupação.

Muitas vezes nas nossas páginas fazemos questão de chegarmos a eles, porque acham que é apenas mais um desfile, o que não é verdade. Miss Cabo Verde quando sai do País leva a Bandeira, a cultura desde os trajes tradicionais, a música, gastronomia e várias informações das ilhas, e a histórias de Cabo Verde, e isso vende mais do que qualquer feira que Cabo Verde participa.

Admira-me muito quando os políticos vão para as feiras internacionais e vêem outros países a levarem as suas Miss, a apresentá-la nas feiras de turismo, e a nossa não participa. Reclamamos o que aconteceu na ilha do Sal, na Cimeira da CPLP. Havia artistas no evento, mas a Miss Cabo Verde não podia ser enquadrada no evento, quando a mesma é a Miss CPLP?

Acho que tudo isso é um complexo e praticamente todas as instituições que nós dirigimos há uma pessoa que quer organizar Miss Cabo Verde, o que não pode.

E não nos apoiam porque há alguém lá dentro que acha que pode fazer Miss Cabo Verde. É esse o complexo que Cabo Verde tem no que diz respeito à Miss.

A Capital Model é a organização oficial de Miss Cabo Verde, nesse momento apenas nós podemos organizar o evento em Cabo Verde.

Várias vezes dirigimo-nos a alguns ministérios a pedir apoio e nos encaminham para o Turismo, às vezes costumam fazer parte e até pedimos prémios, mas não nos responderam desta vez. Mas nós também não podemos ficar à espera por instituições que têm pouca visão.

Nós sabemos qual é a visão de Miss no Mundo e a sua contribuição no turismo, tanto é que pedimos prémios e alegamos que Cabo Verde é conhecido pela sua gente, incluindo Miss, e a figura de Miss projeta muito mais do que se pensa. Por isso esperamos que, daqui em diante, algo possa mudar

Temos muitas organizações a enviar convites para participar em eventos internacionais, mas não participamos porque não temos apoio e não podemos ir em todos, mas pelo menos um poderíamos ir e dignificar a Bandeira de Cabo Verde.

Este ano não fomos a Miss Mundo porque tínhamos Miss Cabo Verde e demos prioridade a esta para que no próximo ano tenhamos tempo de trabalhar e participar, mas o problema não está na organização, mas sim na falta de visão de algumas instituições que não sabem o que significa Miss.

 Para a Miss 2018, a organização teve outras dificuldades?

Em termos de patrocínios nacionais não tivemos quase nada, temos é de agradecer a Câmara Municipal do Sal, que sempre esteve disponível em nos apoiar, e que ofereceu o prémio máximo à Miss Cabo Verde, mas os restantes foram tudo de parceiros internacionais.

Alojamento foi em hotel, as puderam visitar muitos hotéis que nos ofereceram jantares, programas de desporto. Os estrangeiros sabem o que significa isso. A maioria dos programas foi patrocinada por estrangeiros porque instituições Cabo-verdiana não têm ideia, é só ver as publicidades, outdoors na rua, nós Cabo-verdianos não precisamos ir fora procurar pessoas para colocar em outdoors, porque nós Cabo-verdianos somos lindos por natureza. Por isso acredito que precisa-se ter um pouco mais de visão para a moda, miss, modelo e manequins.

No próximo ano, a organização pretende ir a Miss Mundo, que apelo à Sociedade?

Espero que todas as pessoas nos apoiem para que Cabo Verde consiga ira mais longe sem se estar a fazer muita campanha, entrar e apoiar sem que a organização esteja a mendigar, porque é o nome do País que está em jogo.

Se se sabe que há uma organização de Miss Cabo Verde se deve é, prontamente, ajudá-lo sem que esta esteja a mendigar.  Acrescento ainda mais, Angola investiu seriamente na sua candidata para vencer a Mis Universo, no Brasil, foi um investimento mesmo feito, para não lho chamarmos de outro nome, não havia outras mulheres bonitas o concurso? Havia sim, mas fez-se um investimento seriamente para que a sua candidata vencesse. De forma que nós não podemos participar, já que cada candidata deve estar pelo menos um mês antes do dia do concurso, nós enviamos somente a Miss, quando possível. Porque as instituições fazem conta é mais uma miss, mais um quarto, mais um prato etc…. é preciso ter outra visão.  Fico parva por não saber o quê que se tem a respeito do turismo, quase não sabem o que é o turismo.

Já enviamos um pedido ao Ministério do Turismo para um encontro, para ver a possibilidade de a nossa Miss representar Cabo Verde no Miss Mundo, no próximo ano.

Nós temos estado a vender a imagem de Cabo Verde gratuitamente para as instituições, porque não recebemos nada delas quando saímos para algum concurso, estamos a fazer a nossa parte e queremos que façam a sua também.

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