Neste Dia do Pai, escrevo sobre o parto porque acredito que a nossa responsabilidade começa desde o início. A chegada de uma nova vida ao mundo é um momento de grande emoção, mas também de enorme responsabilidade, e garantir que as mães e os recém-nascidos recebam o melhor cuidado possível desde o primeiro momento é algo que nos compete enquanto sociedade. O parto é o ponto de partida para toda uma vida e, por isso, as condições em que ele ocorre fazem toda a diferença para a mãe, o bebé e para a família. É fundamental que possamos oferecer o melhor para quem confia no sistema de saúde para trazer uma nova geração ao mundo.
Em São Vicente, a saúde materno-infantil é um capítulo escrito diariamente por profissionais dedicados, cujo compromisso transforma limites em conquistas. O actual serviço de maternidade, reconhecido pela sua qualidade humana e técnica, reflete anos de investimento público em formação e equipamentos básicos. Contudo, como qualquer realidade em evolução, enfrenta desafios próprios de um país em desenvolvimento: salas que precisam de ampliação para responder ao crescimento populacional, tecnologia que requer atualização face aos padrões internacionais, e uma procura que, felizmente, aumenta à medida que a confiança no sistema se consolida. São constrangimentos naturais de uma nação que, mesmo com recursos limitados, escolheu priorizar a vida das suas mulheres e crianças.
A nova maternidade, financiada pela China com um investimento de 20 milhões de dólares, surge não como crítica ao que existe, mas como celebração do que é possível alcançar com parcerias visionárias. Este projeto, inserido na cooperação estratégica entre Cabo Verde e Pequim, é fruto de uma diplomacia pragmática que alia a expertise chinesa em infraestruturas à prioridade cabo-verdiana de modernizar serviços essenciais. A obra, já na fase dos acabamentos, simboliza mais do que tijolos e cimento: é a prova de que um país pequeno, quando governado com transparência e ambição, consegue atrair apoios globais sem perder de vista a sua soberania.
Com salas amplas e climatizadas, equipamentos de diagnóstico de última geração e áreas exclusivas para cuidados neonatais, a nova maternidade permitirá reduzir tempos de espera, garantir privacidade às parturientes e oferecer tratamentos preventivos que hoje são padrão em nações desenvolvidas. Para as mulheres de São Vicente, isto significará acompanhamento pré-natal mais preciso, partos assistidos com tecnologia que minimiza riscos, e pós-operatórios em ambientes dignos — um salto qualitativo que honra o trabalho já realizado pelos profissionais de saúde.
Mas o maior ganho será intangível: a tranquilidade. Tranquilidade de uma grávida que sabe ter, na sua ilha, um centro capaz de lidar com complicações sem necessidade de evacuações. Tranquilidade de uma família que vê o nascimento de um filho transformar-se num momento de alegria plena, não de ansiedade. E tranquilidade de um país que, mesmo reconhecendo-se pobre em recursos naturais, se afirma rico em determinação para cuidar dos seus.
Este projeto não apaga o passado — eleva-o. A nova maternidade não nega os méritos do presente; amplifica-os. É assim que se constrói o futuro: passo a passo, com humildade para reconhecer o que foi feito e coragem para exigir mais. Cabo Verde, sob a liderança de um governo que vê na saúde um pilar da dignidade nacional, está a mostrar ao mundo que, mesmo em mar aberto, é possível navegar rumo a horizontes mais justos. E São Vicente, com o seu novo centro de cuidados, será farol desse caminho.


