Natural da Boa Vista, Marcelino Silva Santos está de passagem pelo Arquipélago, e em conversa com OPAÍS.cv falou dos conterrâneos na Argentina e de projetos sociais que pretende implementar no País
Eletricista de profissão, formado em Telecomunicações e Aeronáutica Civil, Marcelino Silva Santos apresenta-se como fundador da Rádio Sal, no ano de 1978, e diz-nos que a rádio é a sua paixão, uma paixão que já leva 50 anos.
É precisamente por causa desta paixão de fazer rádio que o Cabo-verdiano, natural da Boa Vista, tem sido alvo de uma série de homenagens como radialista.
Antes de chegar a Cabo Verde, o Boa-vistense recebeu uma homenagem em Roma, Itália, em Hamburgo, Alemanha e em Londres, no Reino Unido, mas o programa de homenagens vai continuar ainda nos próximos tempos.
Em conversa telefónica com OPAÍS.cv, a partir da Ilha de São Vicente, onde se encontra estes dias, Marcelino revela ser um “teletipista”, pois, segundo nos contou, é ele o homem que, a 5 de Julho de 1975, transmitiu ao mundo o “primeiro telegrama” sobre a independência de Cabo Verde.
“Sou a primeira pessoa que transmitiu um telegrama para o mundo sobre a independência de Cabo Verde, eu era teletipista de serviço no dia da independência nacional”, contou, orgulhoso.
A partir do histórico 5 de Julho, Marcelino, ajuntou, passou a ser teletipista da Presidência da República, “mas, mesmo assim, nunca deixei de ser operador das telecomunicações”.
Sobre a atividade ligada à rádio no decurso deste meio Século, o entrevistado, para lá de críticas e elogios aos profissionais do setor, vai dizendo que para ele, a rádio é um fim e não um instrumento.
“O meu lema é, a rádio é um fim e não um instrumento”, instrumento, ajuntou, “para colocar grão de areia na construção de Cabo Verde”.
Por ser da Boa Vista, o entrevistado não passou ao lado da questão de expropriação de terrenos naquela Ilha, para construção do Aeroporto Internacional, e lamentou que tenha havido situações em que o metro quadrado de terreno foi vendido ao desbarato, por apenas 26$00 “a estrangeiros” para outros projetos na Ilha.
A conversa volta-se para a Argentina, onde existe boa presença de Cabo-verdianos, desde há muitos anos.
Marcelino dá conta de muitos conterrâneos indocumentados, pelo que apela o Governo a ver e resolver a questão com urgência. Mas diz haver outras situações idênticas na extensa América Latina.
O Cabo-verdiano dá conta de um projeto social a ser implementado em diversas Ilhas, e apela a profissionais da Comunicação Social e ativistas sociais a se juntarem a ele, nesta causa.
“Faço um apelo aos comunicadores para fazermos um encontro como ativistas, porque através de comunicação é que fazemos ações. Eu estou a fazer ação com o meu papel de ativista”, disse.
Na sua Boa Vista, Marcelino garante ter em curso um programa de apoio a crianças desfavorecidas, que contempla, inclusive, doação de kit’s escolares.
Na Cidade da Praia, em Ponta d’ Água, vão ser plantadas perto de 300 pés de tâmaras, à beira das estradas, e cada pé de tamareira terá nome de um emigrante.
“Nosso foco é todos unidos em favor de Cabo Verde”, enfatiza.


