Enseada de Coral: Rosário Luz diz-se repugnada com o povo de São Vicente

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A enseada de coral da Laginha, vai espoletar um debate aceso no seio da sociedade Mindelense, que requererá, no fim, uma decisão difícil e de grande impacto para a vivência do povo de Mindelo.

É que, se calhar, as pessoas responsáveis pelas “mais de 7.500 assinaturas” não sabem que a solução que os ambientalistas apresentam pode pôr em causa, a médio e longo prazos, a própria existência, manutenção e comodidade da Praia da Laginha, bem como a própria saúde pública. E tudo dependerá de nós.

Não obstante, a nossa reflexão incidirá sobre outras pretensões por traz, que não tem como finalidade última proteger o ambiente ou a biodiversidade marinha. Ora vejamos, com um toque peculiar de “boa educação” e “bons modos” (ironicamente é claro), num post na rede social facebook, admitindo estar a sentir repugnada, Rosário Luz carateriza de “Hipócritas” toda a “Kriolagem” residentes na Ilha de São Vicente, fazendo uma crítica vil e injusta a todos os Mindelenses “que postaram febrilmente pelos incêndios na Amazónia – sentimentos pela Amazónia, amor pela Amazónia, luto pela Amazónia – mas que são incapazes de levantar UM dedinho para defender o NOSSO património natural da indiferença e da ganância dos NOSSOS Bolsonaros” referindo-se, é claro, à enseada de coral e a pouca adesão à manifestação do dia 27 de setembro.

Não, minha senhora, ninguém duvida que o povo Mindelense está preocupado com o ambiente, com a sustentabilidade e a preservação de todo o ecossistema marinho. O que o povo Mindelense não faz, é fazer política com questões ambientais e muito menos utilizar estas questões tão importantes e sensíveis como mote para alimentar pretensões políticas e objetivos corporativistas de um grupo que parece não encarar os desafios de São Vicente com abnegação.

O porque desta afirmação?

A legitima manifestação, que não contou com mais do que 70 pessoas (aproximadamente), fez algumas paragens cirúrgicas em frente de instituições do Estado, nomeadamente, na Câmara Municipal e no Ministério da Economia Marítima, onde vociferaram palavras de ordem como “Corruptos”, “Ladrões”, “Mentirosos” e há quem diga que até ouviu a palavra “Autonomia” sobejamente pronunciada pela senhora Rosário Luz, em manifestações realizadas pelos SOKOLS. Aliás, diga-se de passagem, a palavra “autonomia” surge desenquadrada com o propósito da referida manifestação, onde era suposto estarem ativistas ambientais.

Não! Não é desta forma que Mindelo quer reivindicar a atenção necessária às questões ambientais. Lembremo-nos da jovem sueca de 16 anos, Greta Thunberg, que na sede das Nações Unidas, pediu ações concretas, atitudes urgentes e visões menos economicistas aos responsáveis políticos, afirmando que “roubaram” com suas “palavras vazias” seus sonhos e sua infância. Defendeu o ambiente sem insinuações de outra índole e com abnegação.
A ENAPOR convidou expressamente os ambientalistas manifestantes, para participarem do estudo e serem partes da solução plasmada na proposta de projeto para a proteção da enseada de coral na Laginha e desvio do ponto de saída das águas pluviais, e paradoxalmente recusaram participar e acusam os Mindelenses de serem “hipócritas”? Recusaram contribuir para a proposta de projeto e saem às ruas para manifestar e chamam os Mindelenses de “ambientalistas só quando é fácil e quando o evento é da moda”? Inaceitável! Mindelo não merece.

Ademais, no momento da apresentação da proposta, exigem estudo de impacto ambiental. Tal exigência seria considerada normal se já estivemos a falar de um projeto pronto para implementar. O que foi apresentado foi uma proposta de projeto e não o projeto final. Após a finalização do projeto, agora sim, far-se-á o estudo para apurar qual o possível impacto que a implementação do projeto poderá ter para o ambiente.

Aos milhares que não saíram às ruas neste dia, a quem a Rosário Luz apelida de “hipócritas”, ela deixa um recado e remata com uma ameaça triste e pouco digna, aliás, própria de uma pessoa pouco tolerante e nada democrata, ao afirmar que “No ta li sentod ta xperá bzot febre de post pa próxima tragédia ambiental na Face. Bzot ben, bzot t’oiá”.

Pela enseada da coral da Laginha, pelos Mindelenses e pela seriedade, tenho dito.

2 COMENTÁRIOS

  1. Não sou Mindelense, mas sou Cabo-Verdiano e como não sou hipócrita ela é mais um PAPAGAIA que ganhou notoriedade pública a debitar asneiras na nossa tv pública como uma pessoa independente?Caiu-lhe a MASCARA e pensa que os Mindelenses e os Cabo-Verdianos são IDIOTAS!! Como que iriam estar presentes e colaborarem? ELES SÃO OS REPRESENTANTES DO MAL, COM AS SUAS INTENÇÕES OBSCURAS COMO MOTIVAÇÃO!!!

  2. Estou, absolutamente, de acordo, tanto com o irrepreensível artigo do Sr Miguel, quanto com o primeiro comentário sobre o assunto, feito pelo Sr António Freitas. A Sra Rosário enganou muita gente que se revia na sua aparente postura de comentarista, sempre com laivos de exagero, mas com realismo e, sobretudo, isenção.

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