Entre a floresta e a árvore

Há muito que escrevo sobre o estado do município da Praia e a sua gestão. Durante todo esse tempo nada mudou, pelo contrário: piorou. A gestão atual continua com a sua Saga do Faroeste sem compreender o momento atual do município e o seu papel no desenvolvimento do país.

A cidade da Praia continua ao Deus dará, porém, até Deus defende que só dará a quem põem as mãos na massa e trabalha. Isto não acontece na cidade da Praia. A atual equipa de gestão, que já tem os dias contados, continua a não ser capaz de elaborar e executar obras de grandes impactos e com mudança na vida dos praienses.

A título de exemplo, há um ano foram cerradas várias placas com a intenção de recuperar e reestruturar as infraestruturas desportivas danificadas e, até hoje, alguns meses antes das eleições autárquicas, nada foi feito e as placas continuam lá, abandonadas e a degradar cada vez mais. Da mesma forma, as obras de requalificação dos bairros continuam paradas.

Assim, numa tentativa de mudar os factos e zombar dos desatentos, a liderança da Câmara Municipal da Praia cria uma nova narrativa, “estamos a dar dignidade às pessoas através das casas de banhos.” Não se pode negar a importância que uma casa de banho tem para as famílias, mas até que ponto vale condicionar a dignidade humana à uma casa de banho.

Sim, é isso mesmo, a atual gestão camarária definiu como Dignidade Humana só e somente a construção de uma casa de banho, enquanto que isso não passa de uma árvore só no meio de uma floresta de necessidades que definem a dignidade humana.

A equipa de gestão definiu que só uma casa de banho chega para satisfazer as necessidades básicas da população, enquanto lixos acumulam-se dentro dos contentores pondo em perigo a saúde coletiva. Definiram que uma casa de banho é suficiente, enquanto que a cidade está desorganizada sem uma liderança e um plano de desenvolvimento nos setores da cultura, juventude, formação e organização dos diversos estratos da atividade económica municipal.

Ora, é difícil compreender como é que uma gestão que não promove um ambiente de desenvolvimento económico, social e cultural da cidade capital está a promover a dignidade dos que vivem na cidade.

Literalmente, não há como mudar de opinião sobre a atual gestão da Câmara Municipal da Praia. A atual gestão, ainda, não consegue observar a floresta e continua com o foco numa árvore só. A cidade da Praia é mais do que isso.  Todavia, se a gestão não muda, mudamos de gestão. Agora é tempo de pôr a Cidade da Praia nos trilhos do desenvolvimento com um jovem líder e um líder jovem com provas dadas a todos os níveis.

1 COMENTÁRIO

  1. Completamente de acordo. Mas é necessário conhecer a verdade das construções dessas casas de banho.
    Em 2019 a CMP, com o apoio de Madrid, Espanha ganhou um projeto no âmbito do do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável no valor de 3,5 milhões de euros, cerca de 385 mil contos.
    Estava pronto para arrancar em janeiro de 2020, mas devido á Covid e á mudança da equipa camarária de Madrid nas eleições desse ano, não se consegui esse objetivo.
    A nova equipa camarária não teve a competência para em colaboração com A nova equipa camarária de de Madrid de arrancar com o projeto que abarcava várias áreas:
    1- Saneamento
    a) construção de 700 casas de banho nos bairros periféricos já identificamos pelo projeto e não de duzentos como está sendo feito no último ano de validade do projeto.
    b) ligação à rede pública de esgoto a alguns bairros periféricos e casas em estreita colaboração com a AdS
    2) ligação de água para consumo á rede pública de distribuição de casas dos bairros em intervenção, também em estreita colaboração com a AdS.
    3) implementar um sistema on-line, Praia Decide, através da qual os cidadãos podiam participar ativamente na gestão comunitária dos seus bairros. Esse sistema já tinha sido montado, com a formação de técnicos da CMP em Madrid e na América Latina, e já estava na fase de experimentação no nosso município.
    4) Reforço da Governação Local com intercâmbio entre Madrid e as cidades que estavam envolvidas nesse processo.
    A equipa de Francisco Carvalho não reconheceu esse projeto e ao forçar a saída dos técnicos ligados á elaboração do mesmo aliado a incompetência do seu Presidente, acordou tarde e só no anos das eleições, com a vinda de um responsável da UE também envolvido na elaboração e aprovação do projeto é que consegui a construção de 200 e não de 700 casas de banho nos bairros que tanto precisam
    O projeto que devia contribui para a Praia alcançar os objetivos do Desenvolvimento Sustentável, passou a ser a arma de populismo barato de Francisco Carvalho. De um conjunto de ações previstas no plano de ação desse projeto, lá o Francisco Carvalho, durante quase 4 anos, construí 200 casa de banho e em alguns casos cortou fita, á entrada da casa beneficiada como se faz em grandes obras no mundo inteiro.
    Populismo barato, incompetência, falta de seriedade é nisso que dá.

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