Entre a memória e o futuro: um apelo a lucidez democrática

A história política de Cabo Verde não começa ontem, nem pode ser tratada com amnésia seletiva.

A independência proclamada a 5 de Julho de 1975, foi celebrada com esperança, mas rapidamente deu lugar a um dos períodos mais sombrios da nossa história contemporânea.

Logo a partir de 1975, instaurou-se em Cabo Verde um regime de partido único, herdeiro direto do PAIGC, que eliminou o pluralismo politico, perseguiu vozes dissidentes e impôs uma lógica repressiva inspirada em moldes ideológicos alheios a tradição democrática do nosso povo.

Partidos como A UPICV e a UDC foram silenciados, cidadãos presos, torturados, enviados ao presídio Tarrafal ( ora reaberto) e privados do seu direito fundamental à liberdade de pensamento.

O episódio de 31 de Agosto, ligada a contestação da reforma agrária, permanece como uma das páginas mais negras da nossa história: agricultores, lavradores, proprietários julgados em tribunais militares, submetidos a violência física e psicológica, em nome de um Estado que confundia autoridade com repressão.

Durante quinze anos , o medo substituiu a confiança e o Estado foi usado como instrumento de controle político.

A 13 de Janeiro de 1991, Cabo Verde reencontrou-se consigo próprio. A vitória do MPD representou a instalação da democracia, das liberdades fundamentais e do respeito pelas instituições. Foi o início de um novo ciclo, marcado por pluralismo, alternância e abertura ao mundo.

Desde então, as experiências de governação tem sido distintas. Sempre que o MPD assumiu responsabilidades o país conheceu estabilidade institucional, reformas estruturais e reconhecimento internacional.

O regresso do MPD ao poder em 2016 traduziu-se em avanços claros: crescimento econômico, consolidação democrática e a elevação de Cabo Verde a país de rendimento médio  – alto – um feito que resulta de políticas públicas responsáveis e visão  estratégica.

Hoje, a medida que nos aproximamos de novas eleições legislativas, impõe-se uma reflexão serena, mas firme. O Paicv apresenta uma liderança – Francisco Carvalho – que, recorre a um discurso marcadamente populista, assente em promessas fáceis,  descredibilização sistemática das instituições e numa retórica de confronto que não contribui para a paz social.

Cabo Verde não pode correr o risco de banalizar a justiça, fragilizar os tribunais ou alimentar narrativas que minam a confiança no estado de direito.

Do outro lado, Ulisses Correia e Silva representa a continuidade do equilíbrio, da estabilidade e do respeito institucional. A sua postura serena , aliada a uma governação reconhecida interna e externamente, oferece garantias de previsibilidade num mundo cada vez mais instável.

Nesta quadra festiva, que apela a reflexão , à paz e à responsabilidade colectiva, importa lembrar que o futuro de Cabo Verde constrói-se com memória , lucidez e compromisso democrático.

O País precisa de continuidade, respeito pelas instituições e de uma liderança que una, não se divida.

Cabo Verde não pode, nem deve arriscar retroceder.

Boas festas!