Lídio Silva lamentou que a UCID tenha falhado objetivos mínimos que poderiam servir de base para o crescimento futuro do partido
A histórica figura da UCID, Lídio Silva, reagiu com dureza aos resultados alcançados pelo partido nas eleições legislativas de domingo, defendendo uma “renovação interna profunda” e mudanças na liderança, numa altura em que a força política sofreu uma das mais pesadas derrotas da sua trajetória recente.
Em declarações à RCV, o antigo dirigente democrata-cristão considerou que, perante uma derrota desta dimensão, “não há outro caminho” senão uma reestruturação séria e honrosa dentro do partido, sublinhando que esta é uma prática comum nas democracias maduras em todo o mundo.
“Seria uma atitude honrosa e de louvar uma renovação interna profunda e mudança na liderança. Isso acontece em toda parte do mundo quando há uma eleição em que os dirigentes perdem tanto”, afirmou.
Lídio Silva lamentou que a UCID tenha falhado objetivos mínimos que poderiam servir de base para o crescimento futuro do partido. Na sua perspetiva, uma vitória possível seria garantir representação parlamentar em círculos estratégicos como São Vicente, Santiago Sul, Santo Antão e Fogo.
“A vitória que a UCID poderia ter era se tivesse um deputado em São Vicente, um em Santiago Sul, um em Santo Antão e um deputado no Fogo, quatro pilares para ajudar a crescer o partido”, declarou.
O histórico dirigente apontou ainda críticas diretas à estratégia de integração de candidatos associados ao MpD nas listas da UCID, classificando a decisão como um “erro de palmatória”.
“Não é com a prata dourada dos outros partidos que vamos conseguir resolver a nossa dificuldade interna”, disparou, defendendo que a Praia dispõe de quadros qualificados capazes de representar a UCID. “Nós temos na Praia técnicos, engenheiros, licenciados que podiam ocupar o lugar”, insistiu.
Lídio Silva questionou igualmente a acumulação de funções entre liderança partidária e mandato parlamentar, defendendo uma separação clara entre os dois papéis para garantir maior dedicação à condução política da organização.
“Quem está como presidente não deveria estar como deputado, que é para se concentrar naquilo que deve ser, que é responder perante o povo o mandato que lhes foi confiado”, afirmou.
Apesar da desilusão com os resultados, o dirigente reconheceu os deputados eleitos pela UCID, embora tenha deixado uma nota carregada de ironia política: “São dois, paciência, infelizmente seria melhor que fossem 12”.


