ERUPÇÃO VULCÂNICA: Não há como parar as lavas

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As pessoas tentaram impedir a lava de fluir e falharam. Uma vez aberta as fissuras as lavas começam a fluir e é melhor não lutar contra a natureza

“Os fluxos não podem ser interrompidos, mas as pessoas já tentaram no passado”, assegurou Benjamin Andrews, diretor do Programa Global de Vulcanismo do Museu da História Natural de Smithsonian, EUA.

Na imagem um homem não identificado perto de um fluxo de lava que avança pela estrada na região de Leilani Estates perto de Pahoa na ilha de Havaí esta segunda-feira 7 de maio de 2018, que faz recordar a última erupção na ilha do Fogo em Cabo Verde.

Os fluxos, entretanto, podem e foram desviados no passado. O exemplo mais famoso, cita Andrews, foi em 1973, quando o vulcão Eldfell explodiu em Heimaey, uma pequena ilha na Islândia.

“Nesse caso, enormes bombas de água foram usadas para pulverizar o avanço da lava com água do mar – contudo esse esforço não interrompeu o fluxo, mas sim o redirecionou e impediu que avançasse sobre o porto”, disse, acrescentando que partes de algumas cidades foram invadidas pela lava e uma pessoa morreu do resultado da erupção.

Em outros casos, disse Andrews, bombas militares foram usadas em tentativas de desviar o fluxo, mas sem resultado.

Segundo Andrews, há vários desafios em parar o fluxo de lava.

Para começar, a lava é densa.

“Pode fluir como um xarope pegajoso, mas é mais denso que o cimento”. Isso significa que não há sentido em colocar muros de betão na frente de um fluxo, porque a lava os “tiraria do caminho”.

Alguns pensaram em borrifar o fluxo de lava com água, esperando que ele esfrie e solidifique à frente, porem o calor extremo por trás da crosta, que ainda está derretido, permitirá que o fluxo continue.

Andrews afiançou que os fluxos podem ser desviados, mas há o problema de para onde vai a lava desviada.

“Esse problema é mais facilmente ilustrado com a situação de exemplo onde eu desvio o fluxo de lava para salvar minha casa, mas como resultado o fluxo de lava destrói a casa de outra pessoa”, disse.

“Como resultado desses dois fatores, os fluxos de lava geralmente não são interrompidos ou desviados”.

A lava fluiu, o dano está feito.  E resta livrar-se da rocha que sobrou da corrente.

“Na maioria dos casos, a rocha é deixada no lugar”, assegurou Andrews, porque o volume da mesma e o esforço necessário para desmantela-la e removê-la geralmente são proibitivos.

Porém às vezes, é precisa ser feito como em outubro de 2014, quando o vulcão Kilauea entrou em erupção, a lava atravessou uma importante estrada chamada Cemetery Road.

De acordo com o Departamento de Obras Públicas do Condado do Havaí, multidão  removeram a lava que bloqueava a estrada e um projeto de restauração se iniciou.

Fonte: CNN