Durante discurso na abertura do debate sobre o Estado da nação, Francisco Carvalho apresentou um retrato crítico da situação do país, defendendo que o novo Governo herdou uma realidade financeira e institucional mais grave do que a divulgada pelo anterior executivo
É o primeiro Estado da nação da nova legislatura. Num discurso de pouco mais de 40 minutos, o primeiro-ministro manteve forte tom político, com críticas ao MpD, tendo prometido transparência, rigor e uma governação centrada nas pessoas.
Críticas à gestão do anterior
Francisco Carvalho sustentou que o país viveu, durante a última década, uma realidade diferente da apresentada pelo anterior Governo, acusando o MpD de privilegiar uma narrativa de crescimento económico enquanto persistiam dificuldades sociais enfrentadas por muitas famílias.
O primeiro-ministro afirmou que o novo executivo encontrou uma situação orçamental mais grave do que a prevista, alegando que os compromissos financeiros do Estado já ultrapassavam os montantes aprovados no Orçamento de 2026, e defendeu que serão apuradas responsabilidades e garantiu que todas as informações relevantes serão tornadas públicas.
Segundo disse, o anterior executivo utilizou recursos públicos para medidas de caráter social em período eleitoral, deixando elevados compromissos financeiros para a nova governação.
Transparência e reforço das instituições
Ao longo da intervenção, Francisco Carvalho prometeu reforçar a transparência na administração pública, retomar a publicação regular de relatórios oficiais, implementar uma política de dados abertos e garantir o cumprimento da lei de acesso à informação.
Referiu ainda que o seu Governo pretende promover averiguações independentes sobre alegadas irregularidades em instituições públicas, defendendo que as estatísticas nacionais devem servir exclusivamente o interesse público.
Nova relação com municípios
O primeiro-ministro anunciou igualmente uma mudança na relação entre o Governo e as câmaras municipais, assegurando que todos os municípios serão tratados com igualdade, independentemente da sua cor política.
Garantiu que o processo de descentralização prosseguirá acompanhado dos respetivos recursos financeiros e reiterou o compromisso de respeitar a independência das instituições da República.
Prioridades sociais
Na parte final do discurso, Francisco Carvalho apontou como prioridades do executivo o combate à pobreza, a gratuitidade progressiva do ensino público, o reforço dos cuidados básicos de saúde, a melhoria das condições habitacionais, o apoio à juventude e a valorização da agricultura e das pescas.
Reconhecendo que o país enfrenta desafios significativos, afirmou que o Governo pretende reconstruir a confiança dos cabo-verdianos e governar com base na responsabilidade, na verdade e na justiça social.
O discurso, marcado por um registo político e por críticas recorrentes ao anterior Governo do MpD, abriu o debate parlamentar sobre o Estado da nação, que prossegue na Assembleia Nacional ao longo desta sexta-feira, 31 de julho, com as intervenções dos partidos e dos deputados.

