Estado da Nação: reflexão e futuro ou campanha eleitoral e passado?

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A sessão parlamentar sobre o Estado da Nação começou com sinais positivos, mas rapidamente se transformou num aquecimento para as eleições de 2026. Em vez de um verdadeiro debate sobre os desafios e soluções para Cabo Verde, assistimos a mais um desfile de acusações: quem fez, quem não fez, quem diz que faria.

Apesar do apelo do líder parlamentar do MpD, para a esquerda, o diagnóstico parece sempre o mesmo: ou estão no poder, ou tudo está mal. Há uma constante desvalorização do progresso, uma negação sistemática dos dados e das reformas em curso, e um discurso que alimenta o pessimismo como arma política. Esse tipo de oposição, que prefere a negação à proposta, fragiliza o próprio espaço democrático e empobrece o debate nacional.

E tudo isto leva-nos a uma simples conclusão: a democracia cabo-verdiana ainda tem muito para evoluir. Evoluir no respeito pelas diferenças, na qualidade do discurso político, na capacidade de construir consensos mínimos em torno do essencial. O Parlamento não pode ser apenas um palco para rivalidades partidárias, deve ser, acima de tudo, um espaço para trabalhar pelo bem comum. Cabo Verde merece mais do que campanhas disfarçadas de debate. Cabo Verde merece que se faça uma reflexão no Estado da Nação e, em conjunto, se defina para onde queremos ir e fazer esse caminho com o Povo e pelo Povo.

Não posso, no entanto, deixar de, como mensagem final, citar o líder parlamentar do MpD, Celso Ribeiro, e com isso reforçar a esperança neste caminho que Cabo Verde poderá trilhar: “Esperamos que este debate venha a mostrar ao País que, apesar das divergências ideológicas, há um espaço crescente para entendimentos em matérias fundamentais, como a competitividade fiscal, produtividade e rendimento.”