Estado da Nação? Os dados falam mais alto

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No meu último artigo de opinião, afirmei que os governos do MpD sempre foram reformistas e pró-crescimento económico. Referenciei Johann Wolfgang von Goethe, polímata, autor e estadista alemão do Sacro Império Romano-Germânico, que também fez incursões pelo campo da ciência natural e foi uma das mais importantes figuras da literatura alemã nos finais do século XVIII e inícios do XIX. Ele afirmara em 1830 que “os números governam o mundo” e que tinha certeza de que “eles nos mostram se temos sido bem ou mal governados”.

Ora, a partir deste excerto, se formos analisar com honestidade intelectual os números, podemos chegar à conclusão de que os governos suportados pelo Movimento para a Democracia têm governado bem e prestado um grande serviço à nação cabo-verdiana.

Analisaremos então os números tout court, como são, para no final concluirmos se o país tem sido bem ou mal governado como disse Johann Wolfgang há mais de 200 anos.

Começando pelos indicadores macroeconómicos, de mercado de trabalho e finanças públicas, podemos observar uma melhoria significativa em todos esses indicadores.

Entre 2016 e 2024, o nosso país registou uma evolução na entrada de turistas marcada por crescimento sustentado, mesmo com um choque pandémico sem precedentes, mas a recuperação foi notável, passando de 644.429 visitantes em 2016 para 1.177.467 turistas em 2024. Testemunhamos uma evolução extraordinária do PIB Nominal, mostrando claramente que o país vem produzindo mais riqueza. No período pré-pandemia (2016-2019), o crescimento médio anual foi de +6,4%, com um aumento acumulado de 37.427 milhões CVE (+20,3%). Em 2019, que marcou o pico pré-crise, o PIB já estava em 221.829 milhões CVE e na recuperação pós-pandemia (2021-2024), o crescimento médio anual foi de +12,5%, tendo o ano de 2022 registado o maior salto (+23,2%), superando os níveis pré-pandemia, fechando 2024, novo recorde histórico (282.079 milhões CVE).

O nosso PIB per capita no período pré-pandemia (2016-2019) teve um crescimento acumulado de +759 USD (+20,2% em 4 anos), partindo de 3.749 USD em 2016, já na recuperação pós-pandemia apresentou um crescimento acelerado, atingindo 5.412 USD em 2024 (um aumento de 44,4% desde 2020), tendo o ano 2024 o primeiro ano acima dos 5.000 USD, marcando um teto histórico colocando Cabo Verde no leque dos países classificados pelo Banco Mundial de rendimento médio alto, um feito histórico que lança-nos novos desafios.

Em relação à evolução da dívida pública/PIB no período pré-pandemia (2016-2019) tivemos uma redução consistente de 114,9% para 109,2% (-5,7 p.p. em 4 anos), fruto de um crescimento económico médio de 6,4% (PIB nominal), boas políticas de contenção de gastos e maior arrecadação tributária. Houve um agravamento durante a pandemia, no entanto, na recuperação pós-pandemia (2022-2024), registou-se uma redução acelerada de 146,8% para 109,2% (-37,6 p.p.).  Em 2024, podemos perceber um fantástico retorno ao mesmo patamar de 2019 (109,2%), com uma redução de 37,6 p.p. em apenas 3 anos (2021-2024).

No que respeita aos empregos, pode-se observar uma redução acumulada (2016-2024): -7,0 p.p. (de 15,0% para 8,0%) com destaque para a recuperação pós-pandemia (2020-2024): queda de 6,5 p.p. (14,5% – 8,0%). O ano de 2024 foi o primeiro abaixo de 10%, reflectindo forte geração de empregos com uma redução acumulada (2016-2024) em mais de 20.870 jovens NEET (-33,6%).

Poderia também analisar o IDE (Investimento Directo Estrangeiro), as remessas dos emigrantes, os níveis de exportação, a percentagem do emprego informal, a incidência da pobreza absoluta (%), a remuneração dos empregados, a redução da pobreza, o consumo final das famílias e a própria exportação nacional. Todos estes indicadores apresentam tendências positivas. Ou então o próprio aumento no nível do rendimento, passando do salário mínimo ao pessoal da administração pública. Entretanto, podem ser matérias para próximas análises.

Amanhã o país vai ao debate sobre o Estado da Nação, podemos concluir através desses números que o país tem sido de facto, bem governado, pois os numeros nos mostram se temos sido mal ou bem governado e, os números na verdade são bons.