Estado e Igreja avaliam positivamente dez anos da Concordata

0

Bispo de Santiago e Ministra com tutela das confissões religiosas fizeram hoje avaliação do Acordo Jurídico assinado há 10 anos

O Cardeal e Bispo de Santiago, Dom Arlindo Gomes Furtado, e a Ministra Filomena Gonçalves, que tutela as relações entre o Governo e as confissões religiosas, avaliaram este sábado, no quadro dos 10 anos da assinatura do Acordo Jurídico entre Cabo Verde e a Santa Sé, como positivo a adoção do Acordo. Um dos ganhos, ressalta as duas partes, é a estabilidade no relacionamento entre a Igreja e a Administração Pública Cabo-verdiana.

A ideia de estabelecer o acordo entre os dois Estados, pontuou Dom Arlindo, surgiu num contexto em que a Igreja estava a experimentar “algumas dificuldades” no relacionamento com algumas instâncias da Administração Pública.

“Estávamos todos numa grande confusão, num grande magma” disse o Cardeal, admitindo que em contexto de “alguma dificuldade” surgiu a necessidade de que era preciso organizar, porque Cabo Verde “não podia correr esse risco permanente de guerra” entre a Igreja e o Governo, observando que a Igreja é uma instituição “tão enraizada”, logo “tão necessário e tão importante” para a estabilidade e o progresso nacionais.

A estabilidade no relacionamento entre a Igreja e o Estado e sua Administração Pública e a lei da liberdade religiosa são ganhos evidentes do primeiro decénio da Concordata.

“O surgimento da lei da liberdade religiosa é a primeira filha do Acordo Jurídico” vincou o prelado, em conversa com os Jornalistas à margem de uma conferência internacional realizada hoje na Assembleia Nacional para marcar os 10 anos da Concordata.

O Bispo de Santiago reconheceu, por outro lado, que o Acordo Jurídico projetou o Arquipélago no mundo.

A introdução da disciplina de Educação Moral Católica nas escolas públicas é um ganho do Acordo, reconheceu, por sua vez a Ministra que falou em “muitas ações” sobretudo na área social, abrangendo os que mais precisam.