Este é o pior PAICV que já conheci!

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Com o golpe de Estado na Guiné-Bissau, o golpe de Nino Vieira de 1980, que ordenou o funeral definitivo da Unidade da Guiné-Bissau e Cabo Verde, passamos a ter diferentes versões, roupagens ou modelos do Paicv, cozinhados um pouco sob o estilo das suas respectivas lideranças.

Houve a versão do Paicv de Aristides Pereira, de Pedro Pires, de Aristides Lima, de José Maria Neves e de Janira Hopffer Almada. Mas, como esta versão de Rui Semedo, convenhámos, nunca vira!

É a pior versão do Paicv de todos os tempos. É, sem sombra para dúvidas, a mais fraquinha de todas as gerações políticas do Paicv!

E isto é, objectivamente, a tradução real da verdade vista não só por mim, e é, absolutamente, nada contra as pessoas que integram a sua direcção. Quero dar destaque aqui ao desempenho e à qualidade deste desempenho!

É um Paicv que se esforça bastante é certo, mas que não contém brilho algum notório e, no meu modesto entendimento (desculpem-me a franqueza), apresenta limitações políticas e intelectuais evidentes e visíveis. E estas limitações são corporizadas no dia a dia, de diferentes formas, em cada intervenção, nos actos partidários e, sobretudo, nas sessões parlamentares. Nestas então, meu Deus, o humor sem graça serve para encobrir e disfarçar um pouco a magreza e aridez de argumentos e os buracos negros da agenda oposicionista do partido: ser absolutamente CONTRA tudo o que o Governo faz! É a política pura do NEGACIONISMO! Nem com o valoroso e impecável combate à pandemia da COVID 19 tiveram um singelo gesto de reconhecimento! Paciência!

Sem exageros, o debate no Parlamento do Orçamento do Estado para 2023 foi mais uma demonstração cristalina da falência intelectual da presente direcção do Paicv. Sem pedantismo, e sei que nisto não estarei só, posso afirmar que a situação e a nudez de atitude encorajam e provocam um sentimento de pena, de dó mesmo, comparando com o que fora o Paicv dos outros tempos!

Pois, a impreparação da liderança do Paicv e do seu Grupo Parlamentar ficou patente no debate último do Orçamento para o ano 2023. Demonstraram claramente a impreparação em quase todos os níveis do debate. Não houve o mínimo de trabalho de casa.

Com um golpe de teatro, fingiram ter propostas alternativas às opções orçamentais do governo, mas nada correram-lhes de feição. As suas virtuais propostas, de tão tontas que eram, articuladas à pressa e por carpinteiros da política, sem a quantificação e avaliação dos impactos, e nem deram conta que o custo total estimado dessas propostas está avaliado em cerca de 10 milhões de contos, o que conduziria à triplicação do défice orçamental e colocaria Cabo Verde numa situação de perigosa insustentabilidade financeira e orçamental. Num primeiro momento, o grande público pode não notar isso, mas as fraquezas deste Paicv e a nudez dos argumentos são cristalinas e evidentes e ferem os olhos atentos de qualquer pessoa minimamente preparada na política.

Os pobres argumentos e as piadinhas disfarçantes da tripla barulhenta do Paicv no Parlamento não serviram para abalar a proposta do Orçamento do Governo, a qual, em resumo, e considerando os tempos difíceis que correm, e a título de exemplo apresenta-se o seguinte: aumenta o salário mínimo de 13.000$00 para 14.000$00; actualiza os salários da Administração pública e dos pensionistas do INPS, entre 1 a 3,5%; regulariza a carreira de funcionários de diversos serviços; benefícia mais de 3.000 novos pensionistas do regime não contributivo; reforça as políticas de inclusão e coesão social, através da criação do “Fundo Mais”.

E sempre a título de exemplo, prevê-se ainda o seguinte: o investimento de 3, 8 milhões de contos no rendimento social de inclusão; cuidados a crianças, adolescentes, idosos e pessoas com deficiências; igualdade e equidade de géneros; subsidiação do ensino pré-escolar; isenção do pagamento de inscrições e propinas no ensino básico, secundário e superior para pessoas portadoras de deficiências; acção social escolar; redução do IVA sobre a água e electricidade de 15% para 8%; taxa social de água e energia com descontos 30% sobre a factura de água e 50% sobre a factura de electricidade; acesso à rede de água, esgoto e instalações sanitárias a famílias mais pobres e vulneráveis; isenção da taxa moderadora de saúde e subsidiação para a aquisição de habitação própria.

Uma boa oposição, que estuda e prepara as matérias, e com nível, mediano, naturalmente prossegue os objetivos para alternância, apresentando alternativas! Que alternativas de políticas a tripla (Rui, Baptista e Julião) do Grupo Parlamentar do Paicv apresentou ao Parlamento no debate sobre o OE2023?

Nem souberam fingir que tinham propostas alternativas! Eles confundem a oposição com brigas, gritarias, piadinhas e ser sempre contra tudo e todos.

E o estudo das matérias?

E depois vêm com a narrativa azeda de que o Governo deve pedir desculpas à Nação! Imagine-se quem tem desculpas a pedir à Nação e que, teimosamente, nunca esse pedido foi feito?

Peçam vocês desculpas ao povo destas ilhas quanto à imposição do regime do partido único, peçam desculpas devido às torturas, prisões arbitrárias e políticas e à falta de quinze anos de liberdade!

3 COMENTÁRIOS

  1. Não há duvida que este PAICV é o pior de todos os tempos. Para piorar a situação, esse partido tem agora dois presidentes: O Rui e o JMN. Este último ao invés de desempenhar o papel de PR anda a fazer do presidente do PAICV. Duma coisa eu tenho a certeza, essa sombra de coqueiro do JMN será um desastre para o PAICV nos próximos anos.

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